Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

29 de agosto de 2020

Profundas como as dores

agosto 29, 2020 0
Profundas como as dores
Poema sobre saudade
Quem é você?
Por que deixamos de ser?
Perguntas sobre nós ecoam pela garganta

Em um ato de coragem tenho ouvido músicas
que me levam até você 
Mas alguns, eu sei, chamariam de loucura
Talvez eu mesma chame em algum consciente calado

Você não sabe, mas essa noite foi turbulenta
Senti dores e me lembrei que assim como elas
também éramos profundas
Saudade veio e eu me salguei
Desanuviei o que guardava de mim mesma

Por muito pouco não te mandei mensagem 
Mas temi o que isso significaria
Será que estamos prontas para a leveza?
Já não sou capaz de morrer novamente

Pois bem, pensei na morte
e na dor antecedente a ela devido a essa ausência de palavras
Éramos grito, hoje me pergunto se podemos nos chamar de suspiros

Bárbara Amorim

24 de agosto de 2020

Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma

agosto 24, 2020 0
Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma
Texto sobre amor próprio



Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma. Quero que sejamos íntimas em todas as extensões dessa palavra. Descobri que não tem outro jeito, deve ser assim. Deve ser, pois, quando no fim da noite a ansiedade vem e sinto estar no início de uma manhã cinzenta, com a promessa de um longo dia, ninguém vem me abraçar. Ninguém surge do nada ao meu lado da cama pra dizer que tudo vai ficar bem. Ninguém enfrenta a tempestade comigo, é eu mesma sem guarda-chuva. 

Por isso, sim, eu preciso ser uma grande amiga de mim mesma. Preciso me namorar em frente ao espelho e, quebrá-lo, se der vontade. Não por raiva ou ódio à própria pele, somente por não precisar me avistar em reflexos. Não acho que seja tarefa fácil, como um dever de casa a ser entregue na próxima aula. Talvez eu entre de férias e a lição fique pendente, mas eu acredito com toda a potência que meu interior guarda, que um dia serei aprovada nessa grande aula de amor próprio.

Nos ensinam tanto sobre acolher a multidão, que às vezes esquecemos de nos acolher. Esquecemos que o nosso maior fruto é a nossa essência. Então quando tudo esfria, quando o grito parece ser a nossa única voz, nossa ação natural é procurar outras vozes. Vamos em busca de seres que, supostamente, irão abrigar as nossas trevas. Mas nem sempre isso ocorre, e no fim, o que sobra são nós. Os nossos nós. 

Quando eu choro sozinha a ponto de soluçar, eu ouço a mim mesma. É como se todas as profundezas do meu âmago se aflorassem em um furioso mar. Mais uma vez, compartilho comigo mesma a coragem de se perder em minha imensidão e, logo depois, viajar na tentativa de me encontrar. Ouço músicas, escrevo poemas, crio histórias e, depois me leio.

18 de agosto de 2020

Feito papeis

agosto 18, 2020 0
Feito papeis
Feito papeis, por Bárbara Amorim





Não somos papeis, mas nos rasgamos tão fácil
Do mesmo modo que nossa história foi escrita, ela foi apagada
Rasurada como pó indispensável
Triturada feito qualquer coisa que não precise ser

Por mania doentia ainda te escrevo
Te coloco em palavras e não descarto
Mas o meu peito se aperta
Se desdobra com qualquer vírgula vinda de você

Amanhã, quem sabe, não mais te leia
Não te procure na esquina em que nos fizemos
Mas... Maldita adversidade
Mas até lá, crio caminhos para nós
Nos ilumino com as estrelas que um dia roubamos do céu

Bárbara Amorim

13 de agosto de 2020

Romances modernos

agosto 13, 2020 0
Romances modernos
Romances modernos
Menos de uma semana na atual residência. Menos de uma semana nos braços de alguém que conheci outro dia, praticamente. Ah, mas a saudade não é dessas de horas sem se ver, é daquelas de semanas e mais semanas. Uma conta que não fecha, né? Bem, pra mim fecha, se desenha, escreve e poetiza. Meus olhos sabem sorrir para o amor, mesmo quando ele ainda é um bebê, prematuro.

Ai, pessoas intensas, por que não criamos uma comunidade? Posso ser a embaixadora dessa causa perdida, mas que sigo acreditando. Sigo por ser meiga e, quem sabe, tola. Sigo por acreditar que duas xícaras de café numa manhã frienta apetecem bem mais do que a solidão de uma xícara. Sigo por amar esculpir sorrisos que sorriem pelos mesmos motivos.

A loucura real é que nesse turbilhão de emoções e partidas é difícil saber o que é recíproco. E então, entre uma ponta e outra do sentir versus racionalizar, o que sobra é a interrogação agressiva a queimar os neurônios e pifar o coração. Se tudo fosse como num filme, seria mais simples, porém, na vida factual, o tempo não se arrasta feito onda rebelde em alto mar. Nenhum transporte nos direciona a um beijo. 

Ao menos, penso na sorte que tenho no fato de ele (nem ninguém) ler pensamentos. Só assim para ele não ver o quão boba sou por pensar tanto em um "nós" que nem existe. Outro dia ele me disse que sonhou comigo. Na verdade, foram duas vezes e, é claro que eu tenho esse dado guardado comigo. Segurei as palavras ao invés de dizer: "e eu que venho sonhando com você todos os dias?". Que tortura é ser uma mulher moderna e ainda atuar em romances modernos. 

6 de agosto de 2020

Metade verso, metade guerra

agosto 06, 2020 0
Metade verso, metade guerra
Poema de Bárbara Amorim



No porão das minhas inseguranças
arranjei um espaço para metades
Metade de mim, metade de você
Metade das nossas metades

Fiz um pacto com as minhas dores
pra ver se as suporto, de fato
Por isso resolvi me abrir um pouco mais
Deixei estranhos me adentrarem no meu
cômodo mais privado: meu coração

Meu coração que é vermelho, mas também azul
Meu coração que ama, mas também é chama
Meu coração que tudo sente além do inconsciente

Deixei a dor me desenhar como um retrato masoquista
Dilatei os poros da solidão
Me bebi em veneno após me servir em mel

No fim, restaram palavras nos alicerces da sobriedade
Restaram nós dos nós que fomos
Restou o pó debaixo do tapete
Metade verso, metade guerra

Bárbara Amorim

3 de agosto de 2020

Correndo atrás de nós mesmas

agosto 03, 2020 0
Correndo atrás de nós mesmas
Correndo atrás de nós mesmas
Fugindo de tudo o que me rasga o peito, procurando em mim partes perdidas, tentando fazer da garganta algo diferente de um nó. Sei lá, tentando me enxergar através de uma ótica mais autoral e menos embaçada. Infelizmente não sou capaz de dar uma data de quando me perdi, mas sei que faz tempo desde que busco nos outros um pedaço de mim. Faz tempo em que tropeço em expectativas criadas pela minha querida mente imaginária. 

Parece loucura, mas sinto falta de mim. Sinto falta de uma peça de mim, como num quebra-cabeça, que se perdeu, talvez em alguém. Por sorte, ou excesso de cacos no coração, não romantizo mais minhas dores. Não acredito em felizes para sempre e nem que no fim tudo fica bem. Quem decide o que é o fim? Às vezes ele só é um meio interrompido que forçadamente teve cara de fim.

Ai, ai, intensa e pacata vida, alguém me diz que eu ganhei na loteria do amor! Pode ser o amor próprio mesmo, mas deposita à vista na minha conta. Sim, eu tenho tentado caminhar com os meus passos, olhado mais para dentro, mas sigo 100% humana, pecando nos erros mais antigos. Eu ainda me corto, sem tocar a epiderme. 

Existir é um ato contraditório, pois bem, é. Então só para não fugir à regra e fazer a diferentona, sigo me contradizendo. Também tenho tentado fazer isso com menos constância, entendi que não preciso praticar todo dia essa arte. Acho que o segredo para sofrer menos, se é que existe um segredo, é se liberar. Se permitir ser livre no mais autêntico sentido da palavra. 

Hoje é domingo e tudo bem chorar até tarde e ter que trabalhar amanhã cedo, amanhã é segunda e tudo bem se eu quiser meditar e me elevar espiritualmente, ignorando as mensagens no celular, terça-feira, tudo bem comer chocolate além da conta e me lembrar que esqueci de pagar o boleto do aluguel. A quarta-feira, assim como todos os outros dias que virão, existe para ser criada, com um pouco mais de responsabilidade, por favor, afinal, não dá pra ficar sem um teto, né? A questão é: precisamos saber nos refazer, nos permitir errar e evoluir. Com paciência e um pouquinho de afeto, a gente se encontra nessa corrida atrás de nós mesmas.

30 de julho de 2020

Quem paga a conta?

julho 30, 2020 0
Quem paga a conta?
Poema Quem paga a conta?
O fim da nossa existência jamais existente
me arrasta pela casa
Quando sinto um toque firme na cintura
não sei se sorrio ou me parto

Nem sei se devia te descrever em meus poemas
Se te prender assim em palavras me liberta
Só sei o que sinto, depois versifico

Nas paredes da memória nos colori além da intensidade
Nos cravei em figuras rascunhadas
Restou sombra e eco

O que fazemos de nós em tempo presente é escolha
Mas e o que fazemos de nós em tempo idealizado?
Alguém apaga a luz da saudade?
E quem paga a conta?

Bárbara Amorim