Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

17 de maio de 2019

#NosMostre – o novo projeto da Dove pela autoestima das mulheres

maio 17, 2019 0
#NosMostre – o novo projeto da Dove pela autoestima das mulheres

ShowUs
Olá, tudo bem? Hoje vamos ter uma conversa sincera sobre como nos vemos, e para isso usaremos como inspiração o novo projeto da Dove pela autoestima das mulheres, intitulado #NosMostre. Você sabia que 70% das mulheres não se veem representadas pela mídia? É o que aponta a pesquisa feita pela marca, que tem como objetivo incentivar a exibição da aparência real, sem photoshop. Sabe aquela foto que você tira e fica olhando, aí olha mais um pouco procurando defeito... Esquece! A ideia é justamente ir contra a ditadura da beleza, pra mostrar que somos belas sem filtro. 

É sabido que padrões estéticos geram imposições estéticas. Isto é, se existe um corpo que é tido como ideal ou um tipo de cabelo mais aceito, há também uma pressão para que a gente tenha esse corpo e esse tipo de cabelo. Por isso a Dove se uniu com a Getty Images, uma das principais empresas em criação e distribuição de imagens, e a Girlgaze, uma comunidade global de fotógrafas para criar um banco de imagens de belezas que muitas vezes não são ressaltadas pela mídia. 


O projeto está disponível no site da Dove, e pelo Instagram é possível acompanhar as fotos de mulheres que estão utilizando a #NosMostre, ou em inglês, #ShowUs. É possível filtrar as imagens no site de acordo com categorias, que são: Autenticidade, Satisfação, Inspiração e Beleza. O trabalho é de uma qualidade que vale a pena ser apreciada, com fotos de mulheres de diferentes idades, cores, pesos e cabelos. A youtuber Ellora Haonne, a atriz Mariana Xavier e a cantora Lelezinha também estão apoiando a campanha, e caso você queira fazer parte desse movimento, já sabe, é só usar a hashtag criada. 
#NosMostre
Agora eu quero saber de você: como é a sua relação com o seu corpo? Você lida bem com a aparência ao se enxergar diante de um espelho? Quais são as caraterísticas mais marcantes que você observa? E o que menos te agrada? Faça uma análise de si própria, em um mundo que é todo seu, e se pergunte: por que você nega determinadas partes de você? Por que prefere colocar uma blusa que esconda a barriga ou usar maquiagem todas as manhãs? Se questione se de fato suas atitudes são tomadas a partir de vontades suas ou de imposições, pressões alheias. Talvez você só precise se olhar um pouco mais

15 de maio de 2019

Ser genuíno

maio 15, 2019 0
Ser genuíno
Poema de Bárbara Amorim
Ser genuíno é ser verdadeiro
É ser por inteiro até quando sobra metade
É se ater, é estar
É simplesmente ser

Se trata de dançar com a chuva e se encaixar nos movimentos
Sem pressa ou gana
Sem fantasias
Apenas abrigado em si mesmo

E em passos descompassados enxergar o medo
Observar com olhos de luneta
Mas sem ousar disfarces
Com os pés mantidos na sensação

Sem mais, genuíno é aquele que se entrega
Que caminha, que espera
É quem sabe viver
E faz da vida elemento presente

Bárbara Amorim

13 de maio de 2019

Depressão, autoestima, redes sociais e a "Desconstrução" de Tiago Iorc

maio 13, 2019 0
Depressão, autoestima, redes sociais e a "Desconstrução" de Tiago Iorc
Tiago Iorc
Olá, tudo bem? No início deste mês o Tiago Iorc lançou seu mais novo álbum, intitulado "Reconstrução". O cantor estava ausente há mais de um ano da mídia e das redes sociais, e surpreendeu muita gente com o novo trabalho, que traz 13 músicas, todas com clipe. A primeira faixa é "Desconstrução", e fala sobre depressão, autoestima e redes sociais. Os primeiros versos dizem: "Quando se viu pela primeira vez/ Na tela escura de seu celular/ Saiu de cena pra poder entrar/ E aliviar a sua timidez/ Vestiu um ego que não satisfez/ Dramatizou o vil da rotina/ Como fosse dádiva divina/ Queria só um pouco de atenção/ Mas encontrou a própria solidão/ Ela era só uma menina".


Contracenado pela modelo Michele Alves, o clipe traz uma jovem se olhando no espelho, atentamente, como se fizesse isso pela primeira vez. Ao longo do vídeo a atriz começa a admirar o seu corpo, vai se desnudando e dança consigo mesma, mas logo cobre a sua pele. A sensação que temos ao ver o clipe e ouvir a música, que juntos se mesclam em perfeita sintonia, é que a jovem queria se mostrar em troca de curtidas. Ao perceber isso, então, se sente mal, triste. 

A faixa que abre o álbum nos convida assim a pensar sobre como lidamos com as pressões advindas do mundo virtual. E elas não são poucas, sabemos. Cada vez mais é como se a gente fosse convidada a performar algo, sobretudo no Instagram. Nele passamos os nossos dias rolando o feed da vida alheia, curtindo e comentando as caras e bocas postadas por outras pessoas. Seguimos modelos, youtubers, atrizes globais e mais quem for de nosso interesse. Vemos viagens, restaurantes, paletas de maquiagens de grife e aquela nova sandália que tanto queremos. Um universo de possibilidades que nem sempre nos parece possível. Resultado disso? Nossa sanidade mental comprometida
Começamos a questionar por que não temos tanto sucesso quanto quem seguimos. Procuramos erros e defeitos em nós mesmas, de fora pra dentro, na pele e nas nossas ações. Por vezes caímos em um discurso de meritocracia, como se cada realização da nossa vida dependesse exclusivamente de nós, sem haver fatores externos, como a nossa própria realidade social. Ficamos então angustiadas, e muitas vezes com a autoestima lá no chão. Nos olhamos no espelho como a atriz do clipe e nos sentimos sem graça, não tão bonita. Isso quando não nos sentimos de fato feias. Um trecho da música diz: "Abrir os olhos não lhe satisfez/ Entrou no escuro de seu celular/ Correu pro espelho pra se maquiar/ Pintou de dor a sua palidez". Difícil é não se identificar com a cena.

Um caso emblemático ocorrido em nossa sociedade, que deturpa a forma com que nos enxergamos através da mídia foi o da menina de 11 anos que se suicidou por achar que não tinha o corpo perfeito. Esse caso é capaz de nos mostrar o quanto é cruel ser mulher (ou mesmo uma menina) em um mundo moldado por padrões, ora esqueléticos, ora fitness. Mas nunca o nosso próprio corpo.
Em "Desconstrução" vemos alguém que nos parece distante de si mesma enquanto busca se encontrar, como lhe parece melhor. Nos compadecemos e ao mesmo tempo nos visualizamos ali, nos olhos verdes da moça tatuada que sente a necessidade de ser reconhecida nas redes. A música se encerra com os seguintes versos: "Entrou no escuro de sua palidez/ Estilhaçou seu corpo celular/ Vestiu o drama uma última vez/ Saiu de cena pra se aliviar/ Se liquidou em sua liquidez/ Ninguém notou a sua depressão/ Viralizou no cio da ruína/ Ela era só uma menina/ Seguiu o bando a deslizar a mão/ Para assegurar uma curtida". Potente, concorda?

A comparação é mesmo inevitável, mas cabe a nós também um trabalho de formiguinha: de nos sentar em frente ao mesmo espelho que nos distorce e buscar um detalhe que seja de belo em nosso rosto ou corpo. Cabe a nós tirar uma folga da rotina estressante e sentir as nossas inseguranças e abraçar a nossa coragem. Vai por mim, ela existe. Pode levar tempo esse processo de autoafirmação de que somos lindas e fortes, mas quando esse dia chegar, aí sim, será uma revolução.
Pode ficar à vontade pra desabafar aqui o que houver em seu peito. Vou adorar te ler! <3

8 de maio de 2019

Caos e euforia

maio 08, 2019 0
Caos e euforia

Poesia
O tropeço que me afoga
É também o que me afaga
Do tombo resisto, persisto
Viro potência

Me escondo entre o sol
Mas ele queima
Então viro estrela
Pronta pra ser lua

Sou a pressa que quebra
E para
Descansa os olhos bem devagar
E depois gira sem direção

Me entrego sem freio
Pronta pra ser partida
No caos e euforia da vida
Lamento os pedaços que me partem

Bárbara Amorim

6 de maio de 2019

“Presos que menstruam” – a vida real de mulheres nas prisões brasileiras

maio 06, 2019 0
“Presos que menstruam” – a vida real de mulheres nas prisões brasileiras
Presos que menstruam
Olá, tudo bem? Hoje eu vim te contar sobre a minha leitura de abril, que desde já, me perdoe pelo trocadilho, mas me abriu um mundo. Falo de "Presos que menstruam", da jornalista e escritora Nana Queiroz, sobre a vida real de mulheres nas prisões brasileiras. Eu indico muito pra você que quer sair do senso comum, pois é uma obra reflexiva, que vai te fazer pensar, assim como me fez. Perguntas como "será que tem absorvente suficiente nas cadeias?" ou "como é ser uma mãe presa?" são apenas algumas das questões que permeiam o livro.

Para quem não sabe, Nana é a criadora da revista "Azmina", de conteúdo feminista. Sua preocupação com estudos de gênero vem desde a faculdade, e para a escrita da sua publicação ela ficou seis meses em contato com presidiárias. O resultado foi um livro potente, angustiante e revoltante. Afinal, ler as histórias das mulheres nas prisões e imaginar a vida de cada uma é entrar em um mundo de dor, medo, solidão e insalubridade. Mas não somente, as páginas também nos mostram muita resistência

O que a autora trouxe para nós, leitores, é uma história que precisava ser contada e entendida de forma humana, diferente das que costumamos ouvir nos grandes veículos midiáticos. Há relatos de precarização na higiene das celas, violência por parte dos policiais e péssimas condições de alimentação. O peso e muitas vezes a culpa de se estar à margem da sociedade são contados por Nana, mas a falta de afeto não é omitida. As presas sentem, e sentem muito. Não deixam de serem humanas quando passam pelas grades, mas quantas vezes ouvimos na TV ou mesmo nos meios alternativos notícias sobre presos do sexo feminino? Garanto, poucas vezes. Mas essas mulheres existem, mesmo que os homens ocupem a maior parte da população carcerária do país.

Dados sobre presos no Brasil

"Presos que menstruam" nos aproxima tanto das personagens, que em certos momentos me senti também nos presídios, ouvindo e enxergando cada mulher. Para quem ainda não se deixou levar pelo discurso amplamente disseminado na mídia de que bandido bom é bandido morto não tem como não finalizar o livro sem ter um mínimo de empatia pelas presidiárias que, antes de presas são mulheres, são mães, e como já disse, humanas. 

Tem uma frase da Malala Yousafzai que diz que "não podemos todos ser bem-sucedidos quando metade de nós está restringida", e acho que é exatamente isso. Não, não estou  aqui defendendo atos ilegais ou o que quer que seja, mas precisamos fazer uma reflexão mais profunda: de onde vem esses 5% de mulheres encarceradas? Um número substancialmente menor do que a quantidade de presos homens, entretanto elevado comparado à realidade de outros países. Isso não quer dizer nada?
Presos que menstruam

 "Se o Estado não reconhece que acontece, ele não tem que se responsabilizar pela prevenção." -Presos que menstruam

Pois bem, trago um dado (mais um): de acordo com o Infopen Mulheres 2018, das presas mulheres 50% possuem faixa etária entre 18 e 29 anos, isto é, são jovens. 62% são negras, com baixa escolaridade, e 74% são mães. Podemos ver assim que faltam políticas públicas de acolhimento e acesso à educação para essas que são as Gardênias, Júlias e Marias de Nazaré, como apresentadas no livro. Essas que menstruam ou atingiram a menopausa. Todas mulheres, além do sexo, da fragilidade e da força, representadas em um livro que precisa ser lido por todos e todas

3 de maio de 2019

“Ponte aérea” – quando o amor sabe das diferenças

maio 03, 2019 0
“Ponte aérea” – quando o amor sabe das diferenças
Ponte aérea
Oiii, tudo bem? Espero que sim! Nos últimos dias a ansiedade decidiu que deveria vir me visitar com certa frequência. Eu estava agitada, angustiada e sem foco. Resolvi então fazer algo diferente da rotina de produtividade que eu estava inserida. Resolvi me permitir assistir um filme qualquer, de preferência um que não me fizesse pensar tanto. Abri o catálogo da Netflix e dentro da minha lista encontrei "Ponte aérea", produção brasileira dirigida por Júlia Rezende e lançada em 2015. 

Inspirado no livro Amor líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, de Zygmunt Bauman, e com ótimas atuações de Caio Blat e Letícia Colin, a trama foi me prendendo sem eu nem perceber. Leve, fluido e real, sobre pessoas reais, além de contar com uma cativante fotografia e cenários não estereotipados de Rio e São Paulo. Ambos vão além do cartão postal, e amém que a direção entendeu isso. 
Ponte aérea

Pois bem, não espere ver uma história baseada em um conto de fadas, pois você não vai encontrar. “Ponte áerea” é sobre duas pessoas que se conhecem pelo atraso de um voo. Devido ao mal tempo, o avião tem que pousar em Belo Horizonte, fazendo com que os passageiros tenham que ficar em um hotel. Lá eles se conhecem, mesmo que minimamente, afinal, só trocaram os nomes, mas nada impede que eles tenham ali um primeiro contato. A química rola e eles passam então a dividir a ponte aérea. 

Ele, do Rio, ela, de São PauloBruno, o despojado, sem grandes ambições na vidaAmanda, a focada, com o trabalho em primeiro lugar. Como essa trama poderia dar certo? Simples: porque é exatamente assim que acontece no mundo real! Nele a imperfeição existe e o egoísmo também. Nele um pode gostar de pizza de calabresa e o outro preferir queijo. E aí? O que faz? Desiste? Não! Se encaixa. Se encaixa no que há de mais belo, sem esconder o que há de mais torto. Faz assim, como Bruno e Amanda, deixa os universos se cruzarem. 
Filme Ponte aérea

Assim, sem rótulos, eles passam a se ver, mesmo com o dia-a-dia de um sendo o oposto do outro. Eles querem estar juntos. Ao longo da narrativa, Bruno e Amanda se transformam, e não sabemos se eles ficarão juntos ou não, mesmo que a base da história seja o romance. É sobretudo, um filme contemporâneo, sobre a rotina, o estresse e a ansiedade com que levamos nossas vidas. Os personagens resultam em uma empatia por parte de nós, público, por serem verdadeiros e imperfeitos. São bem construídos nesse ponto, o que gera identificação. 

Uma das minhas cenas preferidas é quando os dois se encontram, novamente, no aeroporto. Bruno pergunta para Amanda por que ela foi atrás dele outro dia e, ela diz, naturalmente: “Eu não sei até agora se eu fui lá pra dar um soco a sua cara ou falar pra você que eu te amava”. Gosto dessa cena por ela expressar um pouco do que é vivenciar uma relação, de fato. Não vai ser perfeito, não vai ser tudo lindo, e até a Disney tem entendido isso ao criar princesas menos romantizadas
Letícia Colin

No fim, um abraço tão sincero entre Bruno e Amanda deixa claro que mesmo com todas as diferenças ainda há algo forte que os unem. Eles sorriem, como se enxergassem ali a possibilidade de um retorno.  Depois, cada um vai para um lado, cada um com seu voo. Fica no ar se a ponte aérea para esses dois ainda é uma ligação


E aí, já assistiu "Ponte aérea" ou já viveu uma história de amor parecida? Me conta!

1 de maio de 2019

Delirante

maio 01, 2019 0
Delirante
Do papel para o mundo
A loucura dos teus olhos me escandaliza
E nela me perco, me faço confronto
Te sinto lua cheia
Assim me ilumino

Sou poética arrebatada
E sei que querer está fora de controle
Tanto sei que já não te miro com a razão
Te miro com a boca, entre sensações

Enquanto ando me afasto de mim
Mas me aqueço na vontade
Que me cerca, provoca
Não sei fugir

Esta noite sou louca
Cambaleante, delirante
Desfrutando daquilo que não tenho
Mas que sinto ter

Bárbara Amorim