Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

20 de março de 2019

Encaixe poético

março 20, 2019 0
Encaixe poético
Encaixe poético
Teu olhar em mim dispara
Como quem canta fogos de artifício
Não ouço tua voz, nem teu ruído
Mas falo teu som

Você me desdobra, reconfigura
E eu quase não entendo
Não porque deixei de te ler
Mas porque esqueci de me ter

Desconectei os cabos de mim mesma
Perdi meu manual de amor próprio
Atropelei meus sonhos e certezas
Fui bandida por me roubar 

E de nós restou poesia
Sempre disposta a escrever o caos
Receptiva, perceptiva
Se encaixou em mim como ninguém jamais fez

Bárbara Amorim

18 de março de 2019

Revenge porn, Sex Education e a importância da empatia

março 18, 2019 0
Revenge porn, Sex Education e a importância da empatia
Revenge porn, Sex Education e a importância da empatia
Olá, tudo bem? Hoje a gente vai falar sobre um assunto muito sério e que precisa ser debatido. Então, para início de conversa, eu te pergunto: você sabe o que é "revenge porn"? Traduzido para "pornografia de vingança", se refere ao vazamento de fotos e vídeos íntimos sem autorização. O alvo, costuma ser mulheres e meninas adolescentes, que ao terminarem seus relacionamentos são ameaçadas pelos seus ex-parceiros. Porém, seja qual for a situação, se trata de um crime que pode deixar danos psicológicos na vítima.

Essa forma de extorsão é abordada na série "Sex Education", que estreou em meados de janeiro na Netflix. No quinto episódio, além de falar sobre a rivalidade feminina, trouxe também para o debate a importância da empatia entre mulheres, afinal, somos ensinadas a sermos inimigas desde sempre. Mais do que isso, somos ensinadas a colocar a figura masculina como personagem central nas nossas relações. Assim, criamos uma ideia de que mulheres são falsas umas com as outras e fazem tudo por homem. 
Revenge porn, Sex Education e a importância da empatia

Na série, uma das garotas têm a imagem da sua vagina compartilhada, e é muito interessante a maneira como o caso é desenvolvido na trama. Em um primeiro momento, enquanto os alunos tentam desvendar quem é a dona da foto, essa mesma garota que teve seu corpo exposto, manifesta um julgamento em relação à aparência do órgão sexual, como se não fosse dela. Nos desdobramentos, ela assume que a foto é da sua vagina, e descobre que a responsável pelo compartilhamento foi uma das suas amigas, que queria puni-la por suas atitudes egocêntricas. A partir daí a série é enfática ao dizer repetidas vezes que expor partes íntimas de alguém não é nem de longe uma desculpa aceitável para lidar com qualquer situação

Contudo, é bem próximo do fim do episódio que "Sex education" nos deixa uma mensagem bonita sobre a importância de nos apropriarmos da empatia. Numa espécie de manifesto para a escola inteira e na frente do diretor, as garotas gritam coisas como "a vagina é minha" e "eu também tenho uma vagina", como um modo de mostrar que "não estamos só", até porque o ocorrido na ficção não é exclusividade da ficção, mas uma realidade vivida por muitas mulheres, que têm que lidar com a exposição dos seus corpos e a violação da sua intimidade simplesmente pelo fato de serem mulheres. Que mais cenas solidárias se repitam, e não somente em séries, filmes e novelas, mas no ônibus, no metrô, naquela rua deserta, enfim, na vida real. 

Se você já assistiu "Sex education" ou ficou com aquela curiosidade, me conta aí!

15 de março de 2019

Pra você voar com as asas dos seus sonhos

março 15, 2019 0
Pra você voar com as asas dos seus sonhos
Pra você voar com as asas dos seus sonhos 
Às vezes eu paro e penso nos meus sonhos, e no tamanho deles. Visualizo cada ponta dos meus desejos, e entendo que talvez nem todos eles se tornem realidade. Pode ser que eu não tenha uma casa com tons de azul turquesa ou nunca conheça a Times Square. São inúmeras as possibilidades de destinos que podem ser alterados da rota dos nossos sonhos. Ainda assim, vale muito a pena se perder nas sensações que nos levam ao futuro.

Entretanto, sabe outra coisa que também vale muito a pena? Viver o agora! Explorar cada pedacinho da paisagem que nos rodeia e se apaixonar dia após dia com o presente. Já experimentou tirar um dia todo só pra você fazer as coisas que você tanto gosta? Aquelas que te causam prazer e o gostinho de quero mais. Podem ser coisas bobas, como ter uma manhã de Spa em casa ou sair pra tomar sorvete, ou coisas maiores como dedicar horas à escrita daquele livro que você tanto quer que exista. Seja o que for, se te faz bem, apenas se permita.

Após ouvir o conselho acima, aí sim você pode se entregar de maneira mais completa à vida que você sonha ter lá na frente. Porém, preciso te contar um segredo que eu não sei se você sabe. Viver o hoje é um dos modos mais legítimos de produzir o futuro. Afinal, não existe varinha mágica que vai nos levar daqui até Nova York, ou dinheiro que caia do céu pra pintar nossas paredes de cor alguma. É preciso pincelar os nossos sonhos hoje pra que amanhã eles tenham viço.

Sendo assim, te faço um convite que vai tornar qualquer estação mais bela. Eu quero que você acredite que é sim capaz de ir além, mas que não desperdice o aqui. Quero que planeje a sua trilha, que anote tudo no papel, mas que não deixe de executar. Hoje. Hoje você pode voar com as asas dos seus sonhos.

14 de março de 2019

O carnaval prossegue

março 14, 2019 0
O carnaval prossegue
O carnaval prossegue
Uma estranha talvez soubesse lidar
Um viciado, talvez
Ou quem sabe uma mãe, corajosa
Mas eu não passo de uma...
Uma o quê?
Nem eu sei

Há partes de mim que são um segredo
E você poderia desvendar, cada linha
Se ousasse ficar além do corpo que te mantém em pé
Mas você não sabe ou não quer

Então dança feito criança na rua
Sem medo ou algum tipo de pudor
Pois sabe que ninguém jamais irá lhe parar
E o corpo é seu, e as regras também

Não peço que pare o seu musical
Muito menos o seu teatro
Só não quero ser fantoche
Nem peça de quebra-cabeça
A minha já dói muito

Enquanto você disfarça
Eu me desfaço
E perco o chão
O carnaval prossegue


Bárbara Amorim

11 de março de 2019

Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos

março 11, 2019 0
Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos
Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos
Neste carnaval, a atriz Maria Casadevall, que vale citar, é muito engajada politicamente, fez do seu corpo um espaço para manifestação contra o atual presidente, Jair Bolsonaro. Ela usou a frase "Ele Não" acima dos seus seios, e estes, ficaram à mostra. Obviamente, a atitude de uma mulher que faz do seu corpo o que bem entende não passou despercebida, e muito menos deixou de ser questionada. E criticada. 

Maria explicou em seu perfil no Instagram que seu peito à mostra "não era um convite a coisa nenhuma". Sim, para nós mulheres, é difícil acreditar, mas ainda temos que explicar que o nosso corpo, exposto ou não, é nosso. Só nosso. E o fato de Marias, Claras, Anas e Betânias decidirem mostrar o que há por trás do sutiã ou qualquer outra peça do vestuário não é passagem para homem algum se achar no direito de tocar ou proferir falas machistas sobre nós.

Entretanto, além de frases abusivas e invasivas, Maria e tantas de nós, mulheres, temos ainda que ouvir sobre o quão errado são os nossos corpos. A assimetria das imperfeições não é respeitada, pelo contrário, é desdenhada e humilhada. Assim como aconteceu com a Bruna Marquezine no carnaval do ano passado, quando ela usou uma fantasia que deixava o formato dos seus seios visíveis, Maria recebeu comentários que diziam que seus seios eram caídos. O que talvez muitas pessoas não tenham entendido é que nem Bruna nem  Maria estavam com uma placa nos seios que pedia a opinião em relação a eles. Ou seja, por mas que ambas tenham optado sim por exibirem seus corpos, não cabe a mim ou a você tecer julgamentos sobre a anatomia do corpo alheio. 

Ademas, há um fator importantíssimo no ocorrido com Casadevall que precisa ser lembrado - seus privilégios. Enquanto uma personalidade pública e mulher branca, ela se ampara em uma situação de certo conforto que talvez não existisse se ela fosse, por exemplo, uma mulher negra  e periférica. Isto é, o simples detalhe de ter coragem para usar um símbolo de extrema polarização no período eleitoral lhe confere privilégios. Porém, até esses foram admitidos pela atriz, que fez questão de lembrar: "Meu peito à mostra no último domingo pré-carnaval foi fruto de uma escolha pessoal, mas eu pude fazer uma escolha." O feminismo agradece tamanha coerência, e que a gente possa continuar lutando pela liberdade de ser, ir e vir, e não apenas no carnaval, mas em todos os dias do ano. 

8 de março de 2019

“Miss Violence”- Uma história sobre a dor de ser mulher

março 08, 2019 0
“Miss Violence”- Uma história sobre a dor de ser mulher

“Miss Violence”- Uma história sobre a dor de ser mulher
De origem grega, “Miss violence” é um filme atravessado por questões culturais e de gênero. Ele se inicia com a cena do aniversário de uma menina de 11 anos, que resolve se afastar da comemoração para ir até a janela. Com seus familiares ao fundo dançando, no que parece ser o retrato de uma família feliz, ela se joga do alto do terceiro andar. Nesse momento nos perguntamos o que teria levado ao suicídio de alguém tão nova.

A cena impactante é apenas uma amostra do que podemos esperar do drama, cuja violência figura como personagem central. Porém, se engana quem pensa (assim como eu pensava) que o filme traz cenas explícitas de crueldade. Não, em momento algum vemos uma grande briga em que algum personagem saia vermelho ou vemos alguma situação que envolva xingamentos. O pai deixa a sua filha ir à casa de sua amiga e assim como seus irmãos, ela vai à escola. O pai é bem presente e está sempre disponível a qualquer chamada da escola. Entretanto, esse mesmo pai age como se a sua esposa fosse uma planta sem sentimentos, que passa boa parte do dia no quarto. E bate na cara da filha mais velha. E é arbitrário com a sua filha mais nova. E é mão de ferro com o seu filho – o único do sexo masculino. Novamente, vale frisar, as cenas não são no nível mais pesado como vemos em muitas produções, mas é o suficiente para julgarmos as atitudes daquele homem.
“Miss Violence”- Uma história sobre a dor de ser mulher
Conforme o filme avança os atos ficam mais claros, mais evidentes, e a violência aumenta. Não fica muito difícil entender que a estrutura patriarcal que tanto domina a vida das mulheres do mundo todo, também mostraria a sua face ali, naquela família à primeira vista tão perfeita. Então um segredo ditador de mistério na trama nos traz uma interrogação: a mulher, que aparenta ser a esposa está grávida, e quem é o pai ausente daquela história? Uma luz se acende e entendemos que o pai da mulher retraída e submissa é o único homem ao seu redor. Portanto, o próprio pai a engravidou. Configura-se assim um episódio de incesto.

Com um mistério revelado, falta-nos perguntar: por que a pequena Angeliki se matou? Eis mais um ponto a ser dado conforme os minutos se passam na trama. Tudo leva a entender que a menina soube por sua irmã mais velha o que houve com ela ao chegar em certa idade. A verdade é dura de lidar, e foi a dor envolta dessa verdade que de fato tirou a vida de Angeliki. As outras mulheres da família permanecem vivas, porém, parte da vida dessas mulheres é tirada diariamente. A esposa, que inicialmente achamos ser a avó das crianças se rendeu ao silêncio, e indica à filha que faça o mesmo para que não sofra represálias. Essa filha, Eleni, não pode nem chorar em outro lugar que não seja o banheiro, escondida. Já as meninas da casa, uma criança e uma adolescente, nem elas são poupadas do peso de carregar o sexo feminino numa sociedade dominada por homens.
“Miss Violence”- Uma história sobre a dor de ser mulher
 A criança, por volta dos 8 anos, tem sua primeira relação com um homem mais velho, isto é, em troca de dinheiro ela é abusada sexualmente. A carga de dramaticidade na cena se deve ao fato da menininha nem entender por que está sendo conduzida para o quarto de um cara que tem idade para ser o seu pai. Já a jovem Myrto, é conduzida à prostituição forçada. Ou seja, ela é estuprada por homens que a tratam como não mais que um pedaço de carne. As cenas são fortes e quando achamos que acabou, o patriarca vem e a penetra, sem dó nem piedade. Na cena seguinte ainda vemos um dos estupradores de Myrto dizer: “Da próxima vez traga uma um pouco mais sorridente”. A frase é absurda e revoltante, mas representa o pensamento de muitos homens, que acham que mulheres existem estritamente para satisfazerem seus desejos, queira ou não. E em caso de violência, é miss quem fica de boca calada. 

Para assistir o trailer, clique aqui.

6 de março de 2019

Conversa com a noite

março 06, 2019 0
Conversa com a noite

Conversa com a noite
A aflição me perguntou se eu dormiria
E eu, aflita respondi que a noite é um mistério
portanto a deixaria sem respostas

As horas passaram e os meus olhos de gude viraram pálpebras
Da boca não haveriam respostas
Mas era nítida a verdade
O sono me abraçaria mesmo que aos gritos

Aflita e com algumas olheiras
O tempo me permitiu o silêncio
E dele fiz meu zelo
Me envolvi em seu colo

A cabeça que gritava, girava
fora dominada pela paz
E a paz tem prazo de validade
A luz da manhã lembrava


Bárbara Amorim