Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

9 de julho de 2020

Conjugando o amor

julho 09, 2020 0
Conjugando o amor
Poema sobre amor


Te devorei
Te devoro
Te devorarei
Alguns verbos precisam de
mais do que futuro para serem conjugados

Eu não te tenho em um passado
Nem só te tenho agora, pois parece tão pouco
Para o infinito do meu sentir é pouco
Sinto necessitar de um tempo a mais

Fiz
Faço
Farei
Qualquer melodia que vem de você

Abri
Abro
Abrirei
Qualquer parte de mim para te escrever

Por um dia, um mês, um ano ou décadas
seremos poemas que se completam
palavras ansiando por formações frasais
Seremos presentes em todos os tempos do amor

Bárbara Amorim

6 de julho de 2020

Palavras angustiadas na falta

julho 06, 2020 0
Palavras angustiadas na falta
Palavras angustiadas na falta
Sinto falta, tanta falta, de tanta coisa. Sinto falta de acreditar que vai ficar tudo bem, sinto falta de um abraço acolhedor, sinto falta de chorar em paz no ombro de alguém e depois rir até criar rugas precoces. Sinto falta de não me sentir sempre no escuro, de não acordar de madrugada com ansiedade, de ouvir Nina Fernandes e me identificar com as letras mais apaixonadas. Sinto falta de ser mais menina e menos adulta. 

Acho que a vida tem pesado mais do que o normal faz um tempo e, parece que o tempo não se trata mais de horas, mas de nós. Nós que nos enrolam até perdermos o ar. Me pergunto quando isso tudo vai acabar para que a paz volte a bater na porta, porém, sinceramente, já nem sei mais do que se trata isso tudo. Já chorei por tantos motivos e no fim me engasguei de modo tão único que me perdi na frieza do sofrer.

Queria ser possível gritar tão alto a ponto da liberdade me ouvir e me livrar das amarras em que me encontro. Queria sentir o quentinho de um chá na garganta acompanhado de um poema de Manoel de Barros sobre passarinhos. Queria não ter pressa para chegar sabe lá onde. Queria não olhar o calendário e me assustar com a velocidade feroz dos números. Queria gastar parágrafos com relatos de amor e não com as angústias do peito. Eu queria tanto que me dói imaginar.

Espero apenas, em alguma esquina, me deparar com um mundo mais possível, solidário. A fortaleza que desenho é uma armadura frágil, não sei até quando caberá em mim. Por enquanto morro no tropeço dessas palavras, mas nos segundos de vida entre as mesmas crio borboletas para colorir o andar em desespero. Por isso ainda vivo. 

2 de julho de 2020

Te sinto

julho 02, 2020 0
Te sinto
Poema Te sinto


Na mensagem enviada, palavras foram deletadas
A falta de reciprocidade bateu no peito e disse: apaga
Obedeci, às vezes ouço a minha mente
Mas o coração que me incendeia, quem o silencia?

Me pergunto se os seus olhos também não ardem
Se a ideia de partida não te parte
Ou se pra você, já faz parte

Memórias de você ainda vivem em mim
Tanto que quando lavo os pratos após o almoço que você dizia gostar, 
paro e sinto 
Apenas sinto o seu abraço

De algum modo nostálgico e ingrato,
me aqueço na sua ausência repleta de lembranças
Nas casas que não moramos e nos filmes que jamais assistimos
Nos jogos não jogados e nos poemas (ainda) não escritos
Te sinto

Bárbara Amorim

29 de junho de 2020

A representação das estruturas de poder em ʽCoisa mais lindaʼ

junho 29, 2020 0
A representação das estruturas de poder em ʽCoisa mais lindaʼ
Coisa mais linda

*Ops, contém spoilers

Oie! Tudo bem, meu bem? O assunto do post de hoje é a linda (e necessária!) série 'Coisa mais linda', da Netflix. Mais especificamente, quero que a gente pense aqui como essa segunda temporada retrata as estruturas de poder de forma extremamente semelhante à realidade e aos nossos dias atuais, mesmo esta sendo uma série de época.

Acho importante entendermos que não é porque um conteúdo é de época que ele não tem coisas em comum com a contemporaneidade. Determinadas crenças e valores atravessam diferentes gerações, se perpetuando para além de seu tempo. Quando pensamos em raça, gênero e classe, por exemplo, estamos pensando em discussões que não se iniciaram hoje, fazem parte de debates antigos, mas que hoje têm mais força do que em outros tempos históricos. 
A representação das estruturas de poder em ʽCoisa mais lindaʼ

Nesse sentido, o que 'Coisa mais linda' faz é trazer para nós, expectadores, um cruzamento de questões antigas que se casam perfeitamente com angústias e lutas da atualidade. No que se refere a poder, é essencial observarmos como ele é constituído a partir da figura do homem e de uma essência individualista, dominante e patriarcal. 

Na cena do julgamento do assassinato de Lígia (Fernanda Vasconcellos), hoje entendido como feminicídio devido ao seu caráter machista, assistimos o desdobramento do crime que encerra a primeira temporada. No tribunal, é válido observar até como as câmeras são capazes de nos introduzir à atmosfera patriarcal de subjugação da mulher, neste caso, Malu (Maria Casadevall), que depõe a favor da amiga. Sentada no meio do júri, completamente masculino, que analisa o caso, ela é questionada pelo juiz em relação a ter envolvimento com outros homens mesmo em papel estando casada. Isto é, a sua conduta sexual é posta em voga em detrimento do seu caráter, o que contribui para certa desqualificação da sua palavra. Se você ainda não assistiu a série, talvez o seu cérebro tenha dado um leve nó, super justo, afinal, pera, né, o julgamento não era sobre o assassinato da Lígia? Então por que a Malu é interrogada em pontos tão íntimos? Eu te respondo: porque ela é mulher e, as estruturas de poder têm como um de seus mecanismos a geração de opressão, que recai mais facilmente perante aos grupos minoritários. Bem, a essa altura do texto e do rolê da vida, talvez você já tenha entendido que ser mulher é ser uma minoria, o que fica ainda mais claro com a concretização do julgamento, que decide que Augusto, (Gustavo Vaz) que atirou em sua esposa, cumpra pena de quatro anos em regime aberto!
Coisa mais linda

Outro ponto que cabe nos atentarmos é que Augusto confessa no julgamento que, sim, atirou em Lígia, mas por acidente, para defender a sua honra e de sua família. Oi, amado?E ainda complementa dizendo que antes a Lígia cometeu um crime ainda maior, que foi abortar, matando o filho deles. Mais uma vez, é feita uma análise moral sobre as práticas da mulher, aqui, a vítima. Desculpa, mas ainda não acabou. Na série, mas também na vida real, a mídia tem um papel  crucial ao veicular casos como o do assassinato da cantora, atuando, assim, como progressista ou transgressora. Como jornalista, feminista, defensora dos direitos humanos, mas sobretudo, humana, não tenho dúvidas de que ela agiu em desserviço, sendo sim, transgressora ao expor o caso como um crime passional. Um dos jornais romantiza a ponto de dizer que "seu único crime foi amá-la demais". 

Lembro aqui ainda que, em vida, Lígia sempre dizia que seu marido a amava demais, mesmo a fazendo sofrer verbal e fisicamente, se tratando assim de uma violência simbólica, conceito criado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, para se referir a uma violência que atua em viés psicológico, através da socialização, se naturalizando no cotidiano. O que enxergamos com isso é o quanto as estruturas de poder são historicamente aliadas aos homens, o que impacta em inúmeras formas como nós, mulheres, somos vistas e como nós próprias nos entendemos dentro das opressões vivenciadas. 
Feminicídio Coisa mais linda

Encerro este post com a mensagem de que, assim como Malu e Theresa (Mel Lisboa) decidem gravar um programa de rádio para contar sobre quem foi a Lígia e, assim ter uma forma de mostrar que mesmo em morte sua vida não será calada, nós, eu e você, podemos também ser partes dessa luta contra o feminicídio, que é naturalmente uma luta contra mulheres. Buscar informação, participar do debate, ouvir atentamente e, contar, como for possível pra você, a história de mulheres que assim como Lígia tiveram sua vida interrompida pela misoginia é uma maneira de dizer basta. Basta para a violência que nos ronda. Como bem disse a filósofa Djamila Ribeiro em palestra na Casa TPM, no ano de 2017, "Não existe revolução feita com flores." Ou seja, precisamos nos incomodar e a partir desse incômodo reagir para um caminho progressista de mudança. 
Rádio Coisa mais linda

Agora me conta aqui: o que te incomoda hoje e que você quer mudar?

25 de junho de 2020

Afeto afetado

junho 25, 2020 0
Afeto afetado
Afeto afetado


Pensei ser leve como pluma
e esbarrei no peso de não te ter
Achei que voaria para os teus olhos
Mas me afoguei nos meus glóbulos sonhadores

Me fantasiei de esperança
Te desenhei em memórias jamais existentes
Te fiz verso e te recriei metáfora
Te fiz afeto e me afetei

Deus sabe o quanto me doei
E confesso que doeu
Ardeu a frieza com que me tocou

Hoje quando acordo te vejo no azul
Um pontinho brilhante no alto céu
Bonito, mas intocável
E tudo bem só te admirar

Bárbara Amorim

22 de junho de 2020

O que fazer por você nessa quarentena

junho 22, 2020 0
O que fazer por você nessa quarentena
O que fazer na quarentena
Oie! Como vão as coisas por aí? Durante esse período de isolamento social, muito se tem ouvido falar sobre "o que fazer" em casa. Mas percebo que muitas  vezes essas dicas vão num sentido de ocupar o nosso tempo com qualquer tarefa, sabe? Então meu objetivo neste post é compartilhar algumas coisas que você pode fazer por você nessa quarentena e, que eu acredito que vão te fazer bem até o pós-quarentena. 

Gostaria de observar também que este não é um post sobre produtividade, necessariamente, é muito mais sobre bem-estar. De certo modo, todos os pontos que serão abordados se relacionam com o autoconhecimento, porém, como este é algo mais subjetivo, quis trazer também um pouco de prática em tópicos que acho essenciais, como começar algo novo e praticar o amor próprio. Introduções feitas, vamos de fato ao post?

-Buscar autoconhecimento
Autoconhecimento na quarentena

Acho que nunca me conheci tanto quanto nessa quarentena. Durante esses dias, em casa, sozinha, acaba sendo natural olhar um pouco mais pra dentro. Tenho percebido quais são os meus pensamentos mais constantes, quais as minhas maiores angústias, o que me deixa mais triste e as alegrias que me roubam sorrisos. 

Minha dica pra você, então, é tirar esse tempo pra se observar e, olha, nem estou falando aqui pra se ocupar em fazer grandes reflexões. Não é isso e, vou dar um exemplo pra te ajudar nesse exercício. Durante o isolamento, um debate que foi levantado se refere à depilação feminina. Muitas mulheres relataram que pararam de se depilar por estarem em casa e, consequentemente, por não terem que expor publicamente suas axilas e demais áreas do corpo. Se você também é uma dessas mulheres, não seria a hora de rever a importância da depilação na sua vida e, mesmo refletir sobre padrões e a sua relação com o SEU corpo?

Vale ainda reparar no modo como você lida com maquiagens, roupas, bem, absolutamente tudo. Talvez você não mude suas atitudes imediatamente após descobrir que algo em sua rotina é muito mais um hábito opressor do que a sua verdadeira vontade e, tudo bem, afinal, precisamos respeitar os nossos processos, né? Mas só de saber o que te faz bem e o que não te faz tão bem assim já é um avanço e tanto!

-Começar algo novo
Começar algo novo na quarentena

Provavelmente você já ouviu aquela frase que diz que "se não der certo, ao menos você tentou", né? Pois bem, faça uso dela também neste momento. Tente! De verdade, não precisa ser algo mirabolante, algo simples já é muito válido! Eu sei que toda essa pandemia paralisou muitas pessoas, fazendo com que algumas tenham dificuldades até mesmo para se levantar da cama, mas se ao menos isso você consegue fazer, tente começar algo novo. Escreva um diário de gratidão como motivo para focar mais em coisas boas do que nas ruins, dê os primeiros passos naquele projeto dos sonhos engavetado por você há anos, pinte telas! O que não faltam são possibilidades, mas você, só você sabe o que realmente está ao seu alcance e te fará bem.

Vou deixar aqui um bônus de um vídeo com 40 coisas para fazer sem sair de casa lá do canal Femingos, que fala sobre arte e criatividade <3


-Praticar o amor próprio
Amor próprio na quarentena

Para finalizar este post, que eu espero muito, desde já, que você tenha gostado, meu conselho é: busque amor próprio. Tente diariamente se julgar menos e visualizar seus pontos altos e baixos (sim, estes também!) com carinho e empatia. Acho importante deixar claro aqui que amor próprio não é somente sobre estética, okay? Não é sobre amar, somente, a própria pele ou o formato do seu rosto. Amor próprio é muito mais sobre se respeitar a partir do entendimento de quem você é, genuinamente, com qualidades e "defeitos". 

Não gaste as suas horas em casa procurando dores em frente ao espelho ou chorando na cama, se permita sentir, sim, isso sempre, mas não se martirize. Consuma conteúdos que te inspirem, ouça pessoas que querem o seu bem, escreva recadinhos para si mesma e cole pela casa! Construa a sua jornada, degrau por degrau. 

E agora me conta aqui o que você tem feito por você nessa quarentena. Vamos compartilhar ideias e afetos! <3

18 de junho de 2020

O amor não pode ser apenas uma palavra

junho 18, 2020 0
O amor não pode ser apenas uma palavra
O amor não pode ser apenas uma palavra
O amor não pode ser apenas uma palavra
Deve ser uma coisa matéria
Um sentimento profundo que vai da alma e
viaja por todos os nossos órgãos

O amor não pode ser uma palavra que grita, que arranha, que parte
Deve ser como fim de tarde ensolarado 
Sem querer romantizar, pode ter sim suas tempestades
Mas jamais deve ventar o suficiente pra invadir a coberta de um guarda-chuva

Quem ama conjuga verbos
Recita poemas com o coração
Ilustra histórias, coleciona memórias

E como sorriem os olhos de quem ama
Estes são autodidatas na arte de desenhar estrelas com as retinas
Amar é apreciar borboletas
É ver as horas e buscar sentido pra elas

Por isso digo e repito que o amor não pode ser apenas uma palavra
Ele tem que ir além do pacato, do frágil e existente
Tem que ser criado diariamente
Na base do afeto e do amor

Bárbara Amorim