Uma estranha para si - Do papel para o mundo

23 de outubro de 2017

Uma estranha para si


Acordei estranha. Quieta e racional. Se me apresentassem hoje a mim mesma diria que não me conheço. Quem é essa de poucas palavras, que tirou do perfil a foto sorridente e pôs no lugar uma em preto e branco, contraste de seu humor? Quem é essa que por um dia trocou o texto de uma página por frases curtas sem ponto de exclamação?

Não diria que estou triste. Também não estou feliz. Talvez apenas cansada, com um mundo na cabeça e muita preguiça de caminhar. Sabe quando queremos fazer algo, mas a vontade de ficar somente no nosso canto, em silêncio, é maior do que o nosso querer? Pois bem, é isso. Meus livros estão me interrogando, querendo saber quando os lerei. Meus planos estão encaixotados, quase descrentes de virarem realidade. E eu estou olhando pro teto, esperando respostas.

Posso pôr uma música, observar bem o que a letra diz, e aleatoriamente, pode ser que a canção me desperte algo. Mas acho que não. Hoje nem chocolate eleva o meu humor. Acordei morta demais pra viver. Até ri de algumas piadas que meu pai contou, não fui um semblante totalmente fechado. Porém, do que me lembro, fui mais dó do que sol. 

Acho que o dia foi bonito, o céu estava azul, e esta ainda é minha cor preferida. Sei que mesmo estando dentro de casa, as pessoas sorriram lá fora. Beijos e abraços foram dados, sonhos nasceram em alguns corações. A vida sempre continua quando deixamos de acreditar, quando perdemos a fé. Mas sempre é tempo de recomeçar após um ponto ou umas reticências. Hoje eu fui um poema de poucos versos, vago,  mas espero amanhã me reconhecer.

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