"Bela, recatada e do lar" e o mito de ser mulher - Do papel para o mundo

13 de novembro de 2017

"Bela, recatada e do lar" e o mito de ser mulher

Vivemos em uma sociedade em que ser mulher é ser errada. Não importa o que você faça, sempre há algo a ser consertado. Não basta nascer portando o sexo feminino, é preciso ser feminina. Tem que ter certa ousadia, mas somente na cama, entre quatro paredes. Tem que ser inteligente, mas não muito, porque esse é o papel do homem. Mas então, qual o papel da mulher? Segundo o conservadorismo, lugar de mulher é na cozinha, portanto nada lhe resta senão ser submissa; uma eterna coadjuvante. 

Tentam nos maquiar e nos deixar bonitas, mas beleza é um conceito que se refere aos caprichos do homem. É preciso ser sexy sem ser vulgar, pois o quanto você carrega de batom define se está apta ou não a ser amada, ou se serve apenas para o prazer, para o sexo. É como se cada passo seu fosse monitorado, e cada escolha fosse decisiva para te tornar aceitável ou te inferiorizar. Existe um padrão e o mundo grita para que você se encaixe nele.

"Mas que padrão é esse? Em que caixa eu encontro uma bela, recatada e do lar?" A resposta é: em nenhum lugar. Não existe esse modelo de perfeição, e por isso a indústria de cosméticos lucra, ao tentar quase que como mágica, vender uma poção da juventude. A utopia move uma nação, enquanto clínicas cirúrgicas ganham rios de dinheiro corrigindo o que é dito como feio. 

Se a personalidade de uma pessoa é construída a partir de diversas interferências, é possível dizer que o que se entende como mulher é uma construção social. O modo como os outros nos enxergam impacta no nosso próprio modo de nos ver. Até mesmo os homens mais "desconstruídos" têm dificuldade de enxergar com naturalidade quando uma mulher toma atitude para conquistar um cara, porque em tese, mais uma vez, esse é o papel do homem. Mulheres devem ser conquistadas e agirem com delicadeza, do contrário são taxadas como "fáceis" e promíscuas

Por vezes, o discurso da liberdade é repleto de amarras. Tudo tem um "porém". "Ah, você pode ficar com dois caras na mesma festa, mas cinco já é demais, né?". E assim nos aprisionam, nos calam, nos oprimem, sempre em prol do bel-prazer do sexo considerado dominante. Se o homem "chega" na mulher ele é o pegador, o máximo, mas se a mulher "chega" no cara ela é a piranha, vagabunda, e tantos outros adjetivos utilizados pejorativamente. 

Na "cultura pop" encontramos os mais variados exemplos de como a figura da mulher é questionada e criticada. Se por um lado elogiam Taylor Swift por sua beleza e talento, por outro a criticam por sua extensa lista de relacionamentos. O que a mídia faz é interferir na sororidade- união entre mulheres baseada na empatia e companheirismo. Resumem a cantora por quem ela fica, idealizam e romantizam sua vida como se ela girasse em torno de homens. 

Se Taylor acredita em príncipes encantados esse é um direito seu. Ela cresceu numa cultura que ensina meninas a brincarem de boneca e estimula o sonho materno. Ainda assim ela pode e deve ficar com quantos caras quiser, se isso lhe agrada, e nem por isso ela é pior do que outras mulheres. Ela é apenas mais uma, cheia de qualidades e defeitos. Ela já criticou a mídia, inclusive, por ser machista e colocar mulheres umas contra às outras: "Você nunca vê online: vote em quem tem a melhor bunda: este ator ou o outro? É sempre: essa cantora ou a outra cantora?... Uma coisa que eu acredito como feminista é que, para termos igualdade dos gêneros, nós temos que parar de fazer uma briga de mulheres", declarou a artista. E só assim, unidas, poderemos quebrar esse muro opressor que agride mulheres todos os dias, física ou emocionalmente. 

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