O pequeno e grande mundo de Judith - Do papel para o mundo

10 de novembro de 2017

O pequeno e grande mundo de Judith

Era uma vez Judith, menina de olhos grandes, que falava mais do que seu cérebro podia processar, e por isso suas frases eram sempre incompletas. Enxergava o mundo como uma grande bola que abrigava todos como em um abraço. Ela era feliz e ria com muito pouco. Os pequenos detalhes floresciam um universo em seu coração.

Muito imaginativa, via as estrelas como pequenos pontinhos de luz que iluminavam o caminho dos que andavam na escuridão. Através de sua ótica tudo era possível, até mesmo tocar o céu subindo a montanha mais alta.

Seus amigos diziam que ela vivia na lua, mas Judith vivia mesmo era com os pés no chão, fixada em linhas retas, gostava de andar no meio-fio da calçada para testar seu equilíbrio, que nunca foi muito bom, mas isso não a abatia. Ela era tão persistente quanto a intensidade do sol quente no deserto, o que às vezes a tornava dona de uma teimosia sem fim.

Aos 10 anos, adorava vestir suas bonecas como princesas. Criava diálogos para cada personagem como em um filme, e passava horas assim, na companhia daqueles objetos inanimados, até que um dia achou aquilo tudo muito repetitivo.

A menina, cansada da boneca, resolveu se aventurar no mundo das pessoas reais. Foi enlaçando relações com base no que acreditava, costurando aos poucos uma teia de gente em sua vida. Os sentimentos eram o combustível de cada ação, e mesmo em seu pequeno peito cabia um infinito. 

Ao estreitar interações descobriu o inverno e um vazio habitante em alguns. Nem sua mais fértil imaginação era capaz de desenhar um mundo tão cheio de contrastes e ainda assim sem cor. Não demorou muito e percebeu que a boneca era mais real do que muitos que a rodeavam. Abismada, correu para o seu quarto, e retornou ao seu mundo de fantasias. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário