O que devemos aprender com a edição do Miss Peru 2018 - Do papel para o mundo

3 de novembro de 2017

O que devemos aprender com a edição do Miss Peru 2018

Mulheres são mais do que apenas corpos, certo? Certo. Porém, isso ainda não é totalmente claro para muitos homens, que tratam mulheres feito objetos. Foi basicamente a partir dessa linha de pensamento que as candidatas do Miss Peru 2018 decidiram inovar na edição deste ano. Ao invés de falarem as suas medidas corporais elas fizeram um alerta sobre a violência contra a mulher

Assim que o apresentador chamou a primeira das 23 candidatas, Camila Canicoba, ela declarou: "minhas medidas são 2.202 casos de feminicídio nos últimos nove anos no meu país". Em seguida veio Karen Cueto, que disse: "minhas medidas são 82 feminicídios e 156 tentativas neste ano". Segundo o Mapa da Violência 2015, o Peru ocupava em 2012, a 32° posição num grupo de 83 países com 100 mil habitantes onde há mais homicídios de mulheres. O Brasil ainda ultrapassa, estando na 5° posição.

Mas o que podemos aprender com essa edição do Miss Peru? Mais precisamente com essas mulheres que passaram para um amplo público uma mensagem oposta da que todos nós estamos acostumados. Podemos e devemos quebrar regras. Não, não estou falando de sair por ai fazendo o que der na telha ou sequer oculto o fato de que sim, a produção do programa sabia do que aconteceria ali. Ainda assim, precisamos concordar: foi um avanço. Sobretudo se pensarmos no histórico de preconceitos e estereótipos legitimados todos os anos em concursos de beleza do tipo. No momento me vem à mente o comentário do Cássio Reis no Miss Universo deste ano, quando ele disse que a representante do Canadá, Siera Bearchell, só estava lá por conta das cotas.

É preciso romper com esse pensamento de que mulheres se resumem apenas às suas formas físicas. E para isso reitero: podemos e devemos quebrar regras. Sabe aquelas ocasiões que a gente já vai sabendo o roteiro? Tipo o churrasco de domingo? Pois bem, você não precisa esperar as piadas machistas para mostrar a sua opinião. Surpreenda, questione, argumente. São esses pequenos atos que geram a verdadeira revolução, e precisamos dela. 

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