Poetas sem aviso prévio - Do papel para o mundo

27 de novembro de 2017

Poetas sem aviso prévio

Você percebe que está amando quando 24 horas se transformam em 24 minutos. Quando uma volta no relógio não passa de um suspiro, apaixonado. Quando a ausência corresponde a aflição ou ausência de si mesmo. Quando o brilho das estrelas lembra o brilho dos olhos da pessoa amada. Quando o arco-íris paira no céu sem chuva, sem sol, você apenas sente.

E aqueles passeios que antes não tinham graça, que não passavam de uma paisagem ou um cenário vazio, de repente, em um despertar, os lugares, as ruas ganham novos sentidos. Pois agora já não são mais apenas espaços, arquiteturas, aderiram sensações, provocam emoções, se tornam memórias, doces lembranças.

Um metrô lotado se torna desculpa para um abraço ou uma troca de olhares. O intenso falatório das cidades urbanas se torna desculpa para cochichos no ouvido. Um simples outdoor, uma parede grafitada se torna um excelente pretexto para uma mensagem no meio do dia, e assim criamos motivos para justificar nossa saudade

O ato de lembrar passa a ser um estado frequente de nós mesmos. Lembramos porque o coração implora , a alma grita, e o amor nos transborda. Agimos por impulso, somos mais do que palavras ditas na escuridão, inspiramos poesia às três ou quatro da manhã. Amar transcende nossa existência.

A vida ganha pinceladas de todas as cores, dos azuis pastéis ao vermelho-paixão. O infinito vira horizonte perceptível à visão, isso porque saímos da mesmice, sonhamos feito pássaros no mais alto galho de uma árvore. Por vezes não nos reconhecemos, e tudo bem que isso aconteça, já não somos os mesmos. O sorriso bobo, o riso descontrolado, os pensamentos distantes nos entregam, e por que não se entregar também?!

Ah, o amor é crença no incerto, é beleza no caos, é verão e inverno, ambos mesma estação. É tudo em tão pouco tempo e pequenos instantes são tão grandiosos. Não porque o sorvete refresca o paladar ou a música de fundo alegra o ambiente, mas porque aquela companhia nos faz bem como mais ninguém nos faz, seja transmitindo uma paz inebriante ou animando nossos dias mais cinzas, no silêncio ou nos ruídos da multidão, nos tornamos poetas sem aviso prévio, e assim permanecemos.

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