Resenha do filme: Para sempre Alice - Do papel para o mundo

1 de novembro de 2017

Resenha do filme: Para sempre Alice

Inspirador, poético, angustiante, literário e humano. Assim posso resumir "Para sempre Alice", filme que retrata com precisão e riqueza de detalhes o Alzheimer, doença incurável que causa perda de memória e atinge a professora de Harvard e especialista em linguística, Alice Howland (Julianne Moore). Seu cotidiano passa então por uma mudança radical, incluindo alterações de humor. 

No início do filme ela já apresenta os primeiros lapsos de memória, ao numa palestra esquecer a palavra "léxico". Para dar conta de certas lembranças ela faz uso de um aplicativo no celular para guardar palavras. Em uma consulta ao médico ela declara que começou a se esquecer de pequenas coisas, como palavras e nomes, e que se perdeu correndo pelo campus da faculdade que dá aula. 
Chega a ser desesperador acompanhar o sofrimento dessa mulher, que com muita força tenta equilibrar a sua dor com a poesia da vida. A atuação de Julianne Moore é simplesmente impecável e transmite muita verdade. Em uma das cenas que mais me chamou atenção ela diz: "eu sei o que eu tô sentindo, eu sei a sensação e parece que meu cérebro tá morrendo, caramba! E tudo pelo que eu trabalhei a minha vida inteira está se perdendo." A frase é dita com grande fervor ao seu marido, após ele não levar a sério a ideia dela ter Alzheimer, dizendo ser loucura, que ela começa a chorar. Imagina a angústia! 

A mudança é drástica, e Alice com muita coragem tenta se adaptar. Por sua doença ser genética, ela teme passar aos seus filhos. Além disso, situações desagradáveis como chegar para dar aula e não se lembrar do conteúdo programado, esquecer o sabor do seu iogurte favorito e fazer xixi nas calças por não se lembrar do banheiro de sua própria casa são vividas por ela. Aos poucos, sua rotina passa a ser moldada pelo que antes era comum e de repente virou fantástico. Ela passa a ser cômica e fria ao mesmo tempo, como quando é questionada sobre o porquê de não ter aparecido para o jantar, e ela diz com firmeza: "desculpa, eu esqueci. Eu tenho Alzheimer". 
Muitos podem julgar a personagem, assim como julgam a doença, fazendo piadas e diminuindo ela a apenas um "esquecimento", coisa de "caduco", porém o debate deve ser levado a sério. Só para se ter noção, no Brasil, 1,2 milhão de pessoas possuem a doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2050 o número de casos aumente em até 500% em toda a América Latina, o que é preocupante.

Entretanto, a vida prossegue, e Alice sabe sorrir e tirar proveito dos bons momentos. Em uma tarefa de captar o seu passado, ela recorda com a ajuda de seu marido lembranças da juventude e início do casamento. É quase um convite a pararmos e percebermos as coisas simples e como elas são valiosas.
Se o que mais acumulamos na vida são memórias, o que fazer quando as perdemos? Esse é o dilema central da professora, que ao descobrir sua doença ganha um novo espaço de tempo para as suas ações: o aqui e o agora. Anotar coisas e saber onde está seu celular que contém todo um mundo de informações sobre si própria. Nada mais é o mesmo, nem ler um livro, nem ser Alice

Ficha técnica

Título: Para sempre Alice (Still Alice)
Dirigido por: Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Estreia: 12 de de março de 2015 
Duração: 101 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama
País de origem: Estados Unidos
Elenco: Alec Baldwin, Julianne Moore, Kristen Stewart, Daniel Gerroll, Hunter Parrish, Kate Bosworth. 

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