Fantasmas da noite escura - Do papel para o mundo

29 de dezembro de 2017

Fantasmas da noite escura

Noites esperando um telefonema que não vem. E a mensagem, visualizada, um retrato da desesperança que entra cedo pela janela. Ela tenta dormir, pois seu corpo está cansado e só pede um colo de repouso. Mas sua mente, envolta em pensamentos embaçados faz com que seus olhos se mantenham abertos.

Ela vai à cozinha e toma um gole de café, sobe as escadas e, sentada no chão, observa a vista da rua vazia beirando à meia-noite. Ouvindo apenas o som da chuva ela sente a ansiedade vir. Se inicia com uma leve coceira irritante pelos extremos dos dedos, que logo sangram. 

Não há mais nada a fazer para passar esta noite do que imaginar a mente de quem está do outro lado da cidade. E ao pensar, distintas vozes gritam dentro de si. É um nítido aviso mandando-a dormir. Melhor deixar os delírios adormecidos em algum canto. 

Uma noite repleta de fantasmas não muda em nada o percurso definido. A espera por quem se ama pode parecer longa, sobretudo quando a vontade em se ter de volta o abraço com gosto de casa vem. Agora, após o último encontro, só restam lembranças para enfeitar os dias, que pacatos são, longe do rosto de quem já não se vê mais. 

Uma pausa entre a tormenta da realidade e o labirinto traçado na noite escura. Já é tarde, e o sono a enlaça, forte como álcool. Amanhã talvez seja diferente e menos angustiante. Se certezas não existem, resta acreditar, e pôr a cabeça num travesseiro macio, seu único porto seguro. 

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