O imensurável poder da imperfeição - Do papel para o mundo

11 de dezembro de 2017

O imensurável poder da imperfeição

O que seria de mim se não fossem os erros, os tropeços? O que seria de mim se não fosse a dor, o sofrimento? O que seria de mim se não fosse o suor derramado e as lágrimas caídas? Se não fosse a imperfeição que compõe a vida? Se não fosse o frio e as desilusões? Seria eu como sou? Melhor? Pior? Talvez eu nem fosse nada.

Cada parte do que somos é feita de retalhos, nossa composição é vasta, alternamos entre a dor e o amor, entre a tristeza e a alegria, e é justamente esse mosaico de sentimentos que nos mantêm vivos. Se a felicidade fosse o nosso único ingrediente não saberíamos dar valor às coisas simples, e se a vida fosse apenas de tragédias não saberíamos o quão bom é sorrir. Nada faria sentido, a monotonia cansa.

Precisamos da instabilidade para provarmos a nós mesmos o nosso potencial, para encararmos os desafios, para não nos acomodarmos, pois se seguimos sempre em linha reta deixamos de avistar novos horizontes. Escapamos da beleza oculta, restringimos o nosso olhar a captar sempre os mesmos lares, os mesmos bares; nos fixamos em uma única paisagem e perdemos a capacidade de nos surpreendermos.

A singularidade só existe porque a diversidade existe. Se todas as pessoas fossem iguais, se não existisse variedade de cores, não haveriam olhares diversos. Ninguém seria único, pois estaríamos todos enclausurados em nossa paleta de cinzas. Porém, a vida nos fez diferentes e errantes, desenhou linhas tortas para que trilhássemos caminhos divergentes, e cada um compõe seu destino de uma forma. 

Contudo, é imprescindível termos noção das nuances a qual estamos vulneráveis durante o processo de viver. Isso não significa que iremos sempre acertar, mas sim que o mundo não acaba quando nos vemos desolados, sem chão. Nossas falhas até podem nos enfraquecer a princípio, quando não vemos nada além do presente, entretanto, quando respiramos e vemos que há ainda muitos passos a serem dados, nos tornamos mais fortes, e eis o imensurável poder da imperfeição.

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