Um peito de muitas estações - Do papel para o mundo

2 de março de 2018

Um peito de muitas estações

O silêncio me instiga  e me desafia a manter a paz. Eu gosto da bagunça, do barulho, de uma dose de caos. É no sabor do que não tem freio que eu me encontro e me desato a ser quem eu sou, de verdade. Não há nada que me paralise tanto quanto uma interrogação a flutuar pela mente, é o que me faz caminhar.

Porém, claro, também me agrada uma brisa de fim de tarde, o sossego das estrelas. De vez em quando a calmaria da vida me persegue, e eu me entrego, sem contestar. Porque eu sei que uma hora devemos ceder, uma hora perdemos o controle, e não mais podemos escolher entre trovoadas e arco-íris. 

Como uma vírgula que paira na insensatez, sou um ponto na estrada, que não contente com finais se direciona a reticências, e elas, mais do que ninguém sabem que o imprevisível está em cada olhar, em cada instante. Afinal, o que sabemos do amanhã senão que talvez ele nem chegue? Não é possível medir a incerteza, assim como não é possível catar todos os vidros que se espatifam no chão. Há sempre um caco perdido em algum canto.

Hoje eu sei que sou do tamanho da minha luta, meço o quanto acredito poder mudar. E mesmo que como amante eu tenha a companhia do caos, ainda sou capaz de me abrigar em um abraço que nada diz além do seu amparo. E no fim, acho que essa é a receita da vida - saber levar as estações no mesmo peito que sente dor, pois ele mesmo pode sorrir.

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