A liberdade de ser muitas em uma só - Do papel para o mundo

21 de abril de 2018

A liberdade de ser muitas em uma só

Dias e noites se passam para que eu possa entender quem eu sou de verdade. Mas olha só, isso nunca acontece. Me reviro na cama, encaro o teto, na esperança de quem sabe uma entidade divina me esclarecer uma dúvida que seja. A espera é em vão, e jamais iremos nos entender. Isso porque somos mutáveis e estamos em constante processo de aprendizado.

Sinceramente, acho até bom não enxergar minha totalidade. É revigorante saber que posso ser uma hoje e outra amanhã. Ora pura, ora pecadora, e assim eu caminho. Sem saber se de fato sou uma ou outra, talvez eu seja as duas, e por que não? A complexidade humana é bem maior do que a razão

Então não quero me avistar em um espelho que não tolera as minhas linhas tortas. Não quero ser uma inteira que no fundo é metade. Posso até me encarar no espelho e observar minhas rugas de expressão. Elas também fazem parte de mim e habitam a minha verdade. Afinal, eu não preciso ter a face lisa e o andar ereto. Posso oscilar entre o dito belo e o dito feio, pois isso é ser complexo -  não se afogar na utopia da perfeição.

A vida já é cheia de caixas que querem nos prender, mas não precisamos entrar em nenhuma delas. Podemos nós mesmos criar nosso infinito de possibilidades, com nossas leis, com nossas regras. E depois se nos cansarmos de todas elas, é só nos libertarmos da nossa própria criação.

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