A solidão das mentiras que inventamos - Do papel para o mundo

24 de abril de 2018

A solidão das mentiras que inventamos

Andei pensando na vida e me deparei com uma questão: o que é a solidão? Estar na companhia do vazio? Sem ninguém ao redor? Não ter com quem conversar? Mas e o nosso vazio interno, também não é solidão? Ou se refere apenas a corpos que ocupam um espaço? Certamente não.

Solidão é, acima de tudo, não habitar si próprio. É ter a liberdade de um recinto aberto, e a prisão de uma mente fechada, que faz com que vontades sejam apenas vontades, e pássaros sejam apenas pássaros - sem asas. 

É também viver com o peito apertado, a garganta em nós e a voz embargada. Pois bem, a solidão é o encontro dos desencontros. Sabe quando você quer muito algo, mas exprime e reprime pra si mesmo que isso não é certo? Já ouviu falar em fuga? Ela se depara com a solidão toda vez que negamos o nosso sentir. E sabe por quê? Por que toda vez que tentamos nos enganar criando teorias para o que de fato sentimos, estamos forjando um caminho dentro de nós, criando uma verdade que não é verdadeira, é farsa. E a fuga de si próprio é a maior das solidões.

Mentir para si mesmo pode sim te fazer caminhar, mas provavelmente, não te levará a nenhum lugar que você gostaria de chegar. São pelos ecos da sinceridade que fugimos de labirintos - que nos roubam a vida e imprime em nós a solidão.

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