Maísa e o tabu da menstruação ainda nos dias de hoje - Do papel para o mundo

13 de abril de 2018

Maísa e o tabu da menstruação ainda nos dias de hoje

O ano é 2018. Se fala de eleição, futebol, crise política, mas pouco se fala sobre menstruação. E sabe por quê? Por que ela ainda é um tabu em nossa sociedade, assim como muitos outros assuntos que envolvem a questão feminina, como falar de sexo. É sempre aceito com muita naturalidade que os homens se posicionem sobre, até por uma certa "afirmação de virilidade", porém, quando mulheres decidem falar abertamente sobre sexo o panorama é outro, e geralmente isso é tratado por um viés sexista, e é claro, machista.

No último dia 9, a Sempre Livre, marca de cuidados femininos, lançou o programa #SempreJuntas, que foi ao ar ao vivo às 20 h no canal Sempre Livre Brasil, no Youtube. A campanha traz Maísa, de apenas 15 anos para abordar a menstruação como deve ser - "livre de tabus, da forma mais natural", como diz a peça publicitária. A iniciativa, que permite o debate entre as internautas ainda terá mais dois episódios, nos dia 16 e 26 de abril, no mesmo horário. 


Mas qual a relevância em se falar sobre menstruação? Bem, é essencial justamente devido à falta de diálogo que começa nas próprias famílias. Quando uma menina tem sua primeira menstruação - também chamada de menarca, é normal que ela se sinta desconfortável e sem jeito para recorrer a alguém. Porém, o que muitas vezes ocorre é a menina chegar para a mãe ou qualquer outra pessoa com que ela se sinta à vontade, e essa pessoa não saber como tratar aquele momento, ou porque ela também não foi instruída quando precisou ou porque a simples ideia de falar sobre menstruação parece polêmica demais. 

Esse silêncio em torno de um assunto que deveria ser tratado com naturalidade, é problemático e gera uma cultura de desinformação. Essa cultura, permeada pelo tabu é responsável por fazer garotas se sentirem estranhas em seus próprios corpos; o que é perigoso, pois de certa forma essa situação legitima que essas mesmas garotas se sintam culpadas quando sofrem, por exemplo, um assédio. A tendência é elas buscarem explicação nos processos hormonais de seus corpos, como se o crescimento de seios e bundas fosse uma permissão para a violação de um corpo e\ou de uma mente. 

Vale ainda lembrar que a família não é o único meio onde o tratamento acerca da menstruação é obtido com desconforto. As próprias escolas não estão prontas pra falar sobre o assunto e pelos corredores é comum o sarcasmo quando uma menina fica menstruada. Além do mais, há uma representação distorcida, sensacionalista e intrinsecamente machista nos filmes que retratam a menstruação. Um exemplo disso são os filmes de terror, que ao espetacularizar a menstruação a torna um ato escandaloso. Por esses e outros motivos é que precisamos sim falar sobre menstruação, e não sobre "aqueles dias", e não com um discurso emergido em tabus. Só assim será possível reduzir dados como o que diz que 62% entre 12 e 14 anos; 53% entre 15 e 17 e 49% de mulheres entre 18 a 25 anos escondem o absorvente de outras pessoas, segundo a pesquisa online "Menstruation Taboos", feita em parceria com a Abril inteligência. 

Anteriormente...
Maísa, conhecida por sua sinceridade, já havia falado sobre o assunto, da forma que deve ser e com muita personalidade. A adolescente é uma prova de que dá pra ser leve e descontraída ao abordar a menstruação. 

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