Cara gente branca estreia segunda temporada com muito o que falar - Do papel para o mundo

3 de maio de 2018

Cara gente branca estreia segunda temporada com muito o que falar

Cara pessoa que me lê, eu não sei se você já assistiu a primeira temporada da série Cara gente branca, então vamos lá. Se você ainda não assistiu, corre pra ver porque vale muito a pena e os episódios são curtinhos, com média de apenas 25 minutos. Mas se você já assistiu, esse post é pra te incentivar a prosseguir com os dilemas da universidade de Winchester, cuja segunda temporada estreia nesta sexta. 

Pois bem, em pleno 2018 ainda temos muito o que debater sobre racismo, colorismo, apropriação cultural e bizarramente, até blackface. Por isso é tão importante a produção de séries como Cara gente branca, que põe em pauta assuntos pertinentes que por vezes são ignorados em nossa sociedade



Motivos para assistir
A série aborda as problemáticas raciais com um sarcasmo pertinente, e propõe, através do humor, que debatamos sobre os problemas enfrentados pela população negra, independente da cor da pele. 

Mostra que a dor da pessoa negra precisa ser respeitada, pois é uma dor real, e não mimimi. Porém, muitas pessoas (brancas), proferem discursos de menosprezo em relação, por exemplo, ao preconceito sofrido pelos negros. 

Traz como questão a solidão da mulher negra, que sim, existe. O que ocorre é que muitas vezes as mulheres negras são tratadas apenas como meros objetos de distração, como se não fossem boas o suficiente para namorar e, sobretudo, casar. 

Humanização dos personagens (que não precisam militar sobre questões raciais o tempo todo). Sabemos da importância que há na ocupação dos espaços, tais como universidades e áreas de lazer por pessoas negras. Porém, não é certo cobrar de pessoas negras discursos de militância o tempo inteiro, como se elas só vivessem para aquilo. Não, é preciso gravar de uma vez por todas que: pessoas negras são humanas, e assim sendo são seres complexos demais para terem uma única face. 

Negros não são potenciais assaltantes. Okay, isso deveria ser meio óbvio, né? Pois bem, mas não é. O simples ato de entrar numa loja pode gerar uma sensação diferente da que geraria para um branco. Uma pequena demonstração dessa desigualdade é que, segundo o Atlas da violência 2017, os negros, jovens e de baixa escolaridade são as maiores vítimas de homicídio no país. 

E por último: negro não é fantasia de carnaval. Outra coisa que deveria ser óbvia, mas infelizmente não é. No carnaval desse ano mesmo eu vi no metrô uma mulher vestida de blackface, sorridente, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Agora me diga, você já viu alguém vestido de branco? Não, né? Porque ser branco é o "normal", não está na margem.

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