Matheusa Passareli, Marielle Franco e o genocídio das minorias - Do papel para o mundo

10 de maio de 2018

Matheusa Passareli, Marielle Franco e o genocídio das minorias

Na última segunda-feira foi confirmada a morte da estudante de Artes Visuais da UERJ, Matheusa Passareli. A jovem, desaparecida há uma semana, se definia como não-binária, isto é, que não se identifica nem como homem nem como mulher. A polícia declarou que ela foi assassinada e seu corpo provavelmente queimado em uma favela do Rio de Janeiro. 

Matheusa tinha saído de uma festa na Zona Norte do Rio e chegou ao Morro 18 falando coisas desconexas e tirando a roupa. Lá passou por um "julgamento", no qual criminosos a ouviram e depois a executaram. Assim mesmo, pelo simples ato de matar. Tiraram a vida de uma militante LGBT, participante do projeto Jacaré Moda, que "busca mostrar ao mundo que a favela existe e, ao mesmo tempo, desafiar a indústria da moda e a onipresença de modelos brancas, altas e magras nas revistas e campanhas de moda como se essa fosse a única representação de beleza desejável e consumível", como descreve a proposta. Além disso ela estava à frente dos estudos sobre a "poética dos corpos estranhos", e postava suas descobertas no instagram @e2tr4anh4. Porém, acima de todo os talentos e habilidades, tiraram a vida de um ser humano.
Mas infelizmente não estamos falando de qualquer ser humano, estamos falando de uma minoria, que morre todos os dias vítima das justificativas mais intolerantes. Segundo o site HOMOFOBIA MATA, do Grupo Gay da Bahia (GGB), 126 crimes violentos foram praticados contra LGBTs no Brasil no período de 1 de janeiro até 10 de abril. É o preconceito tomando as rédeas no país que mais mata quem não se enquadra no padrão heteronormativo.
E é esse mesmo país, tão rico em diversidade, que pune o diferente e ainda sugere a cura gay, para que novos assassinatos sejam cometidos e os dados do suicídio aumentem. Em 2017, por exemplo, o GGB registrou a ocorrência de 58 suicídios de LGBTs no Brasil, sendo 33 gays, 15 lésbicas, 7 trans e 3 bissexuais. 

Outra minoria que também teve sua vida interrompida foi Marielle Franco, vereadora do Psol executada dentro de um carro há cerca de dois meses. A morte dela, assim como a de Matheusa é de um caráter simbólico imensurável, pois representa vidas que muitas vezes são desvalorizadas. Até quando a minoria vai ser maioria apenas nos relatórios de violência? Representatividade importa sim, mas o que vemos todos os dias nos jornais é a representação da invisibilidade, estampada em dados que ilustram mortes e mais mortes. É o genocídio das minorias que se faz presente. Mas não podemos permitir. 

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