Christina Aguilera e a libertação em seu novo álbum - Do papel para o mundo

16 de junho de 2018

Christina Aguilera e a libertação em seu novo álbum

Enfim, veio ao mundo "Liberation", oitavo álbum de estúdio de Christina Aguilera. As duas primeiras faixas, "Liberation" e "Searching for Maria" são rítmicas e introdutórias, e é somente na canção seguinte que ouvimos a voz da cantora em frases completas. 

O trabalho tem uma cronologia e conta uma história. Em "Maria", a cantora parece em busca de ar para o sufoco que faz com que ela queira respirar. Um dos trechos diz "tão cansada de pintar toda essa maquiagem, porque isso não vai esconder meus cortes profundos".

Na segunda música ela continua falando de libertação, só que dessa vez a crítica vai para os empregos que pagam bem, mas escravizam seus funcionários com jornadas exaustivas. "Eu não posso viver com essas correntes em mim, eu tenho que me libertar"A quinta faixa, "Dreamers", de apenas 36 segundos, traz vozes de crianças que contam seus sonhos, desde querer ser roteirista a ser um leão, passando pelo desejo de ser ouvido. Essas vozes preparam o clima para a próxima canção: "Fall in line", parceria de Aguilera com Demi Lovato que resultou num clipe forte com duas potências vocais. 

Mas para quem pensou que o novo álbum não teria aquela sensualidade que tanto conhecemos nos hits de Christina, se enganou. Em "Right moves" e "Like I do", ela retorna com seu lado femme fatale, e em "Deserve" é possível quase visualizar uma paisagem bucólica para um relacionamento que se faz mesmo com as tempestades. Entretanto, com todas as nuances existentes em "Liberation", é com "Twice" que nos envolvemos nos mais profundos sentimentos. A carga emotiva é grande, e a americana parece se desnudar com sua alma para tornar a música um relato sincero.

Em seguida, mais alguns segundos de canção para irmos até "Accelerate", com clipe lançado no mês passado e parceria de Ty Dolla $ign e 2 Chainz. O ritmo extasiante é perfeito para uma festa, que poderia ainda ser celebrada com a próxima do álbum, "Pipe".
Seguindo essa linha entre a sensualidade, empoderamento e a voz do eu-lírico que tem a necessidade de extravasar suas dores e angústias, vamos chegando ao fim com duas das melhores músicas do novo trabalho: "Masochist" e "Unless It's whith you". A primeira fala sobre a dificuldade de sair de uma relação abusiva, que a faz sofrer. A letra diz: "eu devo ser algum tipo de masoquista para me machucar dessa forma, porque te amar me faz muito mal, mas eu não consigo me afastar"

Por fim, teríamos uma nova "I thousand years"? Pois bem, temos algumas similaridades. Em "Unless It's whith you", apesar da voz temer se envolver com alguém por medo de se frustrar: "os começos mais belos podem virar cinzas, é inevitável, e é isso que me deixou com tanto medo, prefiro ficar só", a concretização da música se aproxima das narrativas de romance, onde o fim é o esperado: "contos de fadas são uma falsa felicidade, mas aqui estamos nós e eu devo confessar, sim, estou perdendo o controle me sentindo confusa". Seria então uma contradição? Eu digo que não.

Às vezes acreditamos realmente em algo, como que contos de fada não deveriam ser idealizados e romantizados. Contudo, nem sempre agimos de acordo com as nossas crenças, o que distintas vezes nos direciona a cair nos clichês incentivados pela indústria cinematográfica. Fugir do amor nunca será uma escolha racional, então o que precisamos é da libertação para amarmos sem nos aprisionarmos

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