Sobre a ansiedade que carrego - Do papel para o mundo

1 de julho de 2018

Sobre a ansiedade que carrego

Às vezes a vida gira fora da órbita habitual. É o café que amarga na língua, é o imprevisto que altera todo o dia. O tempo quer brincar, mas a gente não aceita. Então o peito pesa, a respiração acelera e o mundo parece que vai desabafar bem na nossa frente. Eu não sei controlar a minha ansiedade, e detesto quando ela me controla.

Queria ser aquelas pessoas pacientes, que conversam na fila da entrevista de emprego. Mas definitivamente eu não sou essa pessoa. Geralmente eu só penso no que pode dar errado e em como sobreviver àquele momento. E se o chão se partir? E se eu perder a voz? E se o meu coração disparar? O que vai ser do fim depois que ele chegar?

Eu sei, não deveria ser assim, e eu não queria que assim fosse. Não é nada agradável a sensação que surge quando tudo fica escuro e você não sabe o que fazer. E o que eu faço? Bem, eu pego meu celular, abro as redes sociais em busca de uma distração, como compulsivamente, ouço músicas tristes e choro. Acabo me perdendo no vazio e chego a achar ser apenas mais uma no reino da superficialidade. Dói, e muito, e é somente quando escrevo que consigo aliviar um pouco a tensão. De certa forma as palavras são um pouco de cura, porém nem sempre tenho forças para escrever.

É angustiante e por vezes desesperador. Me sinto pequena e incapacitada quando olho seguidas vezes para a tela do celular na ânsia de uma mensagem que não chega. Tudo em menos de um minuto. Mas quem faz meu tempo não sou, é a ansiedade. Então deposito toda a minha esperança numa mensagem que nunca chega, como se ela fosse me salvar, de mim mesma. Na espera o vazio se prolonga, e o universo se torna grande e frio demais para suportar.

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