Eu não sou sua tela - Do papel para o mundo

27 de agosto de 2018

Eu não sou sua tela

Comportamento feminista
Acordar, passar o meu batom e não me ver. Cansei. Cansei de ser sua tela, cansei de me maquiar pra você. Percebi que não preciso do seu aval para ser feliz, muito menos sua permissão para não estampar minha face com cores que não me colorem. Com ou sem delineador eu sou linda do meu jeito. Me descobri.

Sei que essa é a realidade de muitas mulheres, que perderam ou nunca tiveram a autonomia sobre seus corpos, sobre a sua aparência ou até mesmo o modo de agir. Crescemos diante da manipulação, que quando não é da mente é do photoshop. Dizem que é apenas para ficarmos mais bonitas e atraentes, mas a verdade é que nos mutilam - a pele e os sentimentos. 

Criamos uma indústria da perfeição onde ninguém é perfeito. Antes insistíamos em ser a Barbie, que era  a Gisele Bündchen, agora sonhamos com a beleza das Kardashians. Qual será o padrão de amanhã? Relaxa, a mídia como sempre benevolente fará questão de nos informar. E sabe pra que isso tudo? Para competirmos com outras mulheres, para competirmos por homens e para nos tornarmos obcecadas pelo consumo, pelo excesso. 

Não foi fácil, foi um longo processo, mas finalmente eu pude entender que não preciso ser tela de ninguém - nem de homens, nem da mídia, o que no fim são os mesmos. A partir de hoje só me maquiarei quando eu quiser, e não quando eu me sentir obrigada. Cancelo o meu contrato com o mundo para ser dona de mim mesma. Vem comigo?

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