Nanette - um stand-up potente e necessário - Do papel para o mundo

20 de agosto de 2018

Nanette - um stand-up potente e necessário

Do papel para o mundo
Hoje eu vim indicar um stand-up da Netflix que precisa ser assistido! O nome é Nanette, e não, ele definitivamente não é aquelas comédias que você vai rir sem parar, mas sim te fará refletir diversas questões do que se refere ao tema preconceito e aceitação pessoal, além de te fazer questionar o modelo de stand-up atual (ou filmes, séries...) baseado na comédia autodepreciativa.

A história é a da comediante australiana Hanna Gadsby, que conta fatos sobre a sua sexualidade, infância e convida o público (e todxs nós) a repensarmos assuntos relativos ao debate de gênero e construção social. Como ela faz isso? Através da mistura de humor com tensão, que primeiro aproxima e depois te coloca numa sinuca de bico, com algo nas mãos para resolver. 

Uma pena só ter o trailer em inglês!

Eu assisti Nanette por indicação de uma amiga que disse que eu precisava ver, pois iria amar. Sim, Anette (pois é, esse é o nome da minha amiga), você tinha total razão, então aproveito o post para agradecer por me permitir conhecer o melhor stand-up da minha vida - okay que eu não vi muitos, mas é que geralmente eles me irritam com seu teor besteirol.

Se no primeiro momento eu estava mais curiosa do que envolvida nos relatos de Hanna Gadsby, no meio ela já mostrava que não daria ponto sem nó, apontando como o humor depreciativo não acrescenta em nada e só machuca quem por exemplo, como ela, sentiu e sente na pele o peso de ser uma mulher lésbica. No fim, aconteceu o que eu realmente não esperava (mesmo tendo sido alertada sobre) eu chorei. Chorei porque a força daquela mulher que enfrentou tantas dores me comoveu. Mas principalmente, chorei porque eu entendo o que é ser parte de uma sociedade heteronormativa, machista e desigual. 
Fiquei um bom tempo sem falar uma palavra (o que é incrível) após fechar a tela do meu notebook, onde assisti. Me vieram muitos pensamentos, mas acho que o maior deles é - por que um ser humano tem dificuldade de aceitar o outro exatamente do jeito que ele é? É sério, eu realmente não sou capaz de entender. E se você entende, se acha tudo bem uma pessoa agredir a outra fisicamente ou verbalmente, por ela ter, sei lá, uma orientação sexual diferente da sua, além de te indicar profundamente ver Nanette, te indico também fazer uma reflexão de toda a sua vida e rever os seus conceitos, afinal, eles matam

Eu nunca gostei muito de comédia, parece sempre do mesmo, porém, nos últimos anos tenho de fato me questionado o como determinados produtos culturais se utilizam do humor como ferramente para perpetuar esterótipos - sem descontruí-los. Isso somente legitima a manutenção de uma estrutura que segrega, que oprime, que violenta. Acha que eu estou exagerando? Então me diz, de qual grupo minoritário você faz parte? Não, uma piada nunca é só uma piada. 

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