Sou forasteira de mim, esbarrei em você e fiquei - Do papel para o mundo

24 de agosto de 2018

Sou forasteira de mim, esbarrei em você e fiquei

Nos últimos tempos eu tenho me questionado se ainda contamos a nossa história ou decidimos inventar uma. São tantas brigas, tantas discordâncias que quando o meu peito pesa, ele pesa tanto que eu não entendo aonde estava guardada tanta dor, tanta angústia. Eu não quero isso pra nós, não quero te habitar de tal forma que me arranque as estruturas do meu eu

De noite nos olhamos, conversamos e sorrimos. Tentamos aliviar a tensão do dia com beijos cansados. Eu finjo que vai ficar tudo bem, você finge que acredita e assim caminhamos - com algumas pedras nos sapatos. Não aprendemos a andar descalços com medo dos arranhões que podem vir, mas a verdade é que mesmo com algo nos pés os arranhões surgem. É um sintoma. 

Eu nunca deixei de ser gritaria, você nunca deixou de ser silêncio. Eu sou como as ruas agitadas de São Paulo, você é como a chuva de fim de tarde. A astrologia nos aproxima, mas não é sempre que nossas mentes estão alinhadas. Meu amor é furacão e às vezes te atropela, seu amor é brisa e às vezes passa sem perceber. Mas não dizem que os opostos se atraem? Acho que podemos então culpar o destino. 

Eu nem sei como terminar esse texto, mas ora, o que eu poderia esperar se falar de nós  é sempre um mistério. Não faço ideia da curva que habita a próxima esquina, não sei se te abraço ou me afasto. Eu realmente não sei. Sou forasteira de mim, esbarrei em você e fiquei

Nenhum comentário:

Postar um comentário