A ditadura da beleza e a garota do maiô verde - Do papel para o mundo

12 de outubro de 2018

A ditadura da beleza e a garota do maiô verde

A ditadura da beleza e a garota do maiô verde
"Querida garota do maiô verde"... é assim que se inicia a carta escrita e postada no Facebook pela espanhola Jessica Gómez, no verão de 2016, e que voltou a circular na internet por conta do manifesto da Natura, sobre autoaceitação. Motivando diversas mulheres a aceitarem seus corpos como são, a hashtag #VivoMeuCorpo é um incentivo a ir à praia de maiô ou biquíni, ignorando possíveis olhares. 

Vídeo da Natura sobre a garota do maiô verde

De mulher para mulher, eu te pergunto: quantas vezes você já deixou de viver um momento com medo do julgamento alheio? Mais precisamente em relação à aparência física. Eu já deixei inúmeras vezes, como quando estava perto de concluir o ensino fundamental, e o pessoal da minha turma fazia planos para a formatura. A ideia era ir para um sítio com piscina, e eu não pensava nada pior que isso, afinal, era um convite subliminar para eu mostrar meu corpo em poucos trajes. E eu não estava pronta para aceitar.

Aliás, até hoje não aceito totalmente bem. Se não fosse a viagem que fiz ano passado para a casa dos meus pais, que moram relativamente perto da praia, eu provavelmente ainda estaria na relação de anos sem sentir a água salgada do mar tocar minha pele. Estaria anos sem tirar a roupa que me esconde não das outras pessoas, não apenas, mas que me esconde sobretudo de mim. Foi um passo importante que tomei, um ato de liberdade, que me ajudou a ver que mostrar o que tenho de concreto e me deixa em pé não é algo que deva ser encarado como um desafio. Como eu disse no início deste parágrafo, até hoje eu não me aceito totalmente bem, porém, dar esse passo à frente fez eu me ver de uma forma menos cruel.

E é assim, não é, que nós garotas nos vemos? Com olhos de maldade, sabotagem. Estamos sempre em busca de um motivo para dizer que não somos tão belas assim. E nem sempre gritamos ao mundo que nossas celulites, estrias e gordurinhas são feias, na maior parte das vezes apenas sofremos em silêncio. Só estando no corpo de uma mulher para saber o quanto essas ditas imperfeições nos machucam. Não, não é uma dor que causa um hematoma, mas uma pela qual sentimos praticamente todos os dias. Essa dor agressiva adora se exibir diante do espelho, que nos questiona: por que você não muda isso ou aquilo? Nos acostumamos com a nossa própria crueldade.

Ora, a explicação é simples: somos ensinadas desde pequenas a não gostar de quem somos. Somos ensinadas a odiar aquilo que nos faz, de tantas formas. A ditadura da beleza não é um mito, ela é a mais eficaz expressão de um modelo de sociedade consumista. É revolucionário quando uma mulher se liberta das opressões pelas quais é ensinada a sofrer calada. E é isso o que a campanha da linha Realce e Nutrição – Lima e Flor de Laranjeira, de Tododia, da Natura, convida que façamos, sem medo de ser feliz ao postarmos nossas fotos bem praieira nas redes sociais. 

A essa altura você já sabe bem quem é a garota do maiô verde - aquela que se esconde com vergonha do seu corpo, e talvez, você assim como eu se perceba nela. Então à você, à mim, à nós, um conselho roubado: "Eu gostaria de poder te dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime em sua imperfeição".

Nenhum comentário:

Postar um comentário