Eles querem o gol - Do papel para o mundo

15 de outubro de 2018

Eles querem o gol

O futuro não deveria ser tão esquizofrênico. Eu não deveria olhar a paisagem ensolarada com olhos de chuva. Sinto que me perco, à cada tentativa de enxergar o amanhã com olhos esperançosos. É como se eu fosse um borrão em meio à ideologias que me prendem. Confesso: viver não tem sido fácil.

Hoje estava lavando a louça e de repente comecei a chorar. Loucura? Não. É medo, é angústia, é raiva, é tudo junto. Nunca imaginei que a política fosse me fazer sofrer tanto. O pior é que para alguns, não se trata de política, mas de um jogo de futebol. Não importa quão doloroso possa ser o caminho para o gol, se o jogador vai fraturar ou não o calcanhar de Aquiles, o que importa é o resultado. Eles querem o gol

Ingenuidade é a essa altura acreditar que os torcedores creem no senso de coletividade. Alguns sim, pois parte de mim ainda vê beleza na utopia, mas boa parte não se preocupa muito além do seu próprio umbigo. Enquanto uns rangem os dentes apavorados, outros sentem a glória ser cravada no peito, como numa final de Copa

De algumas pessoas a gente já nem espera muito, apenas lamenta. Mas outras... fazem a verdade virar tempestade em nossos olhos. Então você se pergunta: quando que foi que algumas vidas deixaram de ser tão importantes? Será que sempre foi assim? A dúvida aflige, a descoberta arrebata.

Não sei se estou preparada pra dançar na chuva. Me alertaram que no passado as águas machucavam, e a pele de alguns era mais maltratada que a de outros. Eu não sei, não vivi essa história, mas sinto que já faço parte dela. É uma sensação horrível

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