Ser mulher é tentar ser o que se é - Do papel para o mundo

31 de outubro de 2018

Ser mulher é tentar ser o que se é


Ser mulher é tentar ser o que se é

A violência é um signo que carrego
A trago nos olhos, no peito, nos ombros
Não, eu nunca apanhei
Nunca fui agredida e nem tenho os olhos roxos

Mas a ausência de marcas não me afasta da dor
Eu a tenho, bem dentro de mim
Sou uma construção feita de tijolos de medo e algumas resistências
Ser mulher é nascer em luta


Sair de casa não é liberdade
É coragem
Que às vezes falta, e aperta, e isola
Mas a falta dela não me tira do mundo

Meus lábios sorriem com a calmaria
Que não encontro na rua
Às vezes a cidade me sufoca com olhares depravados
Tento me esconder, tento não chorar
E no fim, percebo, que ser mulher é tentar ser o que se é

Bárbara Amorim

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