Violência - Do papel para o mundo

3 de outubro de 2018

Violência


Violência
Dia da mulher e ele me violenta com suas flores
Só eu sei a dor daquelas rosas que não passam de espinhos
Bem escolhidas, tão perfumadas
Ele diz que se parecem comigo

O problema é que essa mulher florida só existe na mente dele
Que mente para si mesmo sobre quem sou
A minha pele não é branca e os meus olhos não são azuis
Me idealizar sempre será sua maior frustração

E eu? Quem sou? Uma guerreira?
Não. Eu sou aquela que se perdeu na liberdade
Que com um par de asas tentou voar, mas logo caiu
Que morreu envenenada de um falso amor

Eu sou a mulher que apanha
Que sabe o número da polícia
Que tem medo da polícia
Que chora

Bárbara Amorim

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