Para quem será desenvolvido o novo Brasil? - Do papel para o mundo

4 de janeiro de 2019

Para quem será desenvolvido o novo Brasil?

Para quem será desenvolvido o novo Brasil?
Dia 1° de janeiro de 2019. Novo ano, novo presidente, dessa vez, ele, Jair Bolsonaro, o símbolo do #EleNão. Sua posse, exibida ao vivo na TV, teve muitos lados a serem analisados, e não cabe aqui fazer uma análise simplista sobre o ocorrido, dizendo, por exemplo, que ele só falou besteira. O momento político requer uma pausa das nossas emoções afloradas para uma atenção mais elaborada do cenário

A partir de tal pensamento, o que me chamou de fato a atenção na posse foi a seguinte fala: "Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros: que querem boas escolas, capazes de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política". A frase foi feita por uma pessoa pública, em caráter notório, mas representa o pensamento de muitas pessoas, que enxergam a militância como um ato de baderna, protesto por puro protesto. 

Porém, é preciso que cada um de nós entenda que somos seres políticos, e isso não se refere aos cargos que ocupamos nas assembleias ou o quanto recebemos do Estado. Ser político é ser cidadão, é se preocupar com o rumo do país, da cidade, do bairro. É exatamente isso o que faz alguém que milita por uma causa, independente da idade e formação. Quando Bolsonaro fala em preparar o aluno para o mercado de trabalho e não para a militância política, a mensagem que nos chega é um recado firme ao seu modelo ideal de ensino. Esse modelo, tecnicista, se baseia no silenciamento de camadas e setores da sociedade com menos poder. Militantes pelo meio ambiente, pelas causas da mulher e pela promoção dos direitos LGBT's estão diretamente inseridos nesse quadro precário.

Não é a toa que o atual presidente é favorável à reforma do ensino médio, que entrará em vigor em diversas escolas ainda este ano. A alteração no sistema de ensino será radical, excluindo matérias da grade curricular obrigatória ou ainda, permitindo ao aluno escolher de acordo com seus interesses no Enem. A medida parte de um pressuposto raso, de que todos os estudantes, em plena fase de adolescência, estão aptos a decidir seu futuro, quando muitos, na verdade, nem chegam a fazer o Exame

E assim começa o novo governo, com a promessa de tempos em que a valorização do mercado de trabalho é tratada com superficialidade. Precisamos sim preparar estudantes para que sejam bons profissionais, mas a prática deve estar associada ao estímulo do pensamento crítico. Tentar acabar com o engajamento de futuros trabalhadores é contribuir para a precarização de áreas e cargos fundamentais para um país desenvolvido. Fica então a pergunta: para quem será desenvolvido o novo Brasil? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário