Três álbuns poderosos de mulheres negras - Do papel para o mundo

18 de fevereiro de 2019

Três álbuns poderosos de mulheres negras

Três álbuns poderosos de mulheres negras

Em 2018, cada uma dessas artistas lançou um álbum e o empoderamento foi às alturas com letras fortes, batidas bem trabalhadas e personalidades únicas. Enquanto Elza carrega histórias de um passado não muito recente, envolto por muita luta, Karol e Iza são componentes de uma geração de estrelas que sabem do seu impacto na sociedade. O fato é que essas três mulheres, de peles negras, rompem barreiras a cada hit lançado, isso porque nossa sociedade racista, ainda tão repleta de traços coloniais, insiste em subjugar a competência de quem foge ao padrão. O padrão branco hegemônico. 

"Ambulante"- Karol Conka
Três álbuns poderosos de mulheres negras
Forte, direto, com altas doses de empoderamento e extremamente sensual, assim posso definir o álbum "Ambulante", da Karol Conka, lançado em novembro do ano passado. Completo, o trabalho flerta com questões sociais, de gênero e negritude, e ainda fala de amor, como na maravilhosa canção "Saudade", que teve clipe liberado recentemente. 

Em "Bem sucedida", Karol dispara: “você quer saber quanto eu ganho, você quer saber quanto eu gasto, sei que pra você parede estranho, me ver bem sucedida no que eu faço”, numa referência às pessoas que estranham seu sucesso. Outra letra extremamente interessante é a de "Suíte", que diz: "tô vendo que você tá pronto pra consumo, essa responsa eu assumo, você curte, me pede mais que eu abuso, antes de amanhecer eu sumo". Podemos interpretá-la como uma apropriação da sexualidade masculina, cuja lógica é clara - tudo bem homens ficarem com uma mulher sem querer nada sério, mas o contrário, jamais -, porém, e se o contrário também fosse tido como normal? 

Para ouvir o álbum, clique aqui.

"Deus é mulher" - Elza Soares
Inteligente, altamente poético e feminino, "Deus é mulher", 33° álbum de Elza Soares, lançado em maio do ano passado é um verdadeiro hino. A voz mais que potente da cantora é utilizada pra dizer o que muito é calado, ignorado, silenciado. Uma mulher à frente do seu tempo, que inicia lindamente seu trabalho com a música "O que se cala". 

Tema carimbado no álbum, a religião é cantada (finalmente) sem hipocrisia. Na contagiante  e impecável "Exu nas escolas", a letra diz: “Num país laico, temos a imagem de César na cédula e um "Deus seja louvado"as bancadas e os lacaios do Estado”. Salve, salve, Elza. Já na música "Dentro de cada um", o recado vai de encontro ao patriarcado: “A mulher de dentro de cada um não quer mais silêncio, a mulher de dentro de mim cansou de pretexto, a mulher de dentro de casa fugiu do seu texto”. É pra aplaudir ou não é? 

Para ouvir o álbum, clique aqui.

"Dona de mim" - IZA 
Girl Power, sexy e dançante, "Dona de mim", faz jus ao nome. Lançado em abril de 2018, o álbum teve diversos hits que entraram para a playlist das baladas, como a poderosa "Pesadão". Exato, aquela mesma, que fica na cabeça e não sai mais. Com um clipe poderosíssimo, que conta com a parceria de Rincon Sapiência, "Ginga" é outra música que faz os músculos dançarem de forma involuntária. Da letra, também vale a reflexão: "tudo que te prende, é melhor que evite". 

Aspecto que ainda vale ser observado no novo trabalho é a coragem que se finca nas canções. Um bom exemplo disso está em "Dona de mim", cujos versos são: "Sempre fiquei quieta, agora vou falar, se você tem boca aprende a usar". No clipe, é feita uma denúncia à violência nas escolas públicas, que precisam lidar com tiroteios no meio das aulas. Iza, uma verdadeira artista, que inspira o amor próprio e a luta diária pra ser quem se é. 

Para ouvir o álbum, clique aqui

E você, o que acha da Karol, Elza e Iza?

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