Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos - Do papel para o mundo

11 de março de 2019

Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos

Maria Casadevall e o #elenão aos corpos femininos
Neste carnaval, a atriz Maria Casadevall, que vale citar, é muito engajada politicamente, fez do seu corpo um espaço para manifestação contra o atual presidente, Jair Bolsonaro. Ela usou a frase "Ele Não" acima dos seus seios, e estes, ficaram à mostra. Obviamente, a atitude de uma mulher que faz do seu corpo o que bem entende não passou despercebida, e muito menos deixou de ser questionada. E criticada. 

Maria explicou em seu perfil no Instagram que seu peito à mostra "não era um convite a coisa nenhuma". Sim, para nós mulheres, é difícil acreditar, mas ainda temos que explicar que o nosso corpo, exposto ou não, é nosso. Só nosso. E o fato de Marias, Claras, Anas e Betânias decidirem mostrar o que há por trás do sutiã ou qualquer outra peça do vestuário não é passagem para homem algum se achar no direito de tocar ou proferir falas machistas sobre nós.

Entretanto, além de frases abusivas e invasivas, Maria e tantas de nós, mulheres, temos ainda que ouvir sobre o quão errado são os nossos corpos. A assimetria das imperfeições não é respeitada, pelo contrário, é desdenhada e humilhada. Assim como aconteceu com a Bruna Marquezine no carnaval do ano passado, quando ela usou uma fantasia que deixava o formato dos seus seios visíveis, Maria recebeu comentários que diziam que seus seios eram caídos. O que talvez muitas pessoas não tenham entendido é que nem Bruna nem  Maria estavam com uma placa nos seios que pedia a opinião em relação a eles. Ou seja, por mas que ambas tenham optado sim por exibirem seus corpos, não cabe a mim ou a você tecer julgamentos sobre a anatomia do corpo alheio. 

Ademas, há um fator importantíssimo no ocorrido com Casadevall que precisa ser lembrado - seus privilégios. Enquanto uma personalidade pública e mulher branca, ela se ampara em uma situação de certo conforto que talvez não existisse se ela fosse, por exemplo, uma mulher negra  e periférica. Isto é, o simples detalhe de ter coragem para usar um símbolo de extrema polarização no período eleitoral lhe confere privilégios. Porém, até esses foram admitidos pela atriz, que fez questão de lembrar: "Meu peito à mostra no último domingo pré-carnaval foi fruto de uma escolha pessoal, mas eu pude fazer uma escolha." O feminismo agradece tamanha coerência, e que a gente possa continuar lutando pela liberdade de ser, ir e vir, e não apenas no carnaval, mas em todos os dias do ano. 

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