"Areia movediça": uma série sobre abusos - Do papel para o mundo

22 de abril de 2019

"Areia movediça": uma série sobre abusos

Areia movediça
Olá, tudo bem? O que você tem assistido? No início deste mês estreou na Netflix a série "Areia movediça", um suspense/drama policial sobre um atentado em uma escola. Siiim! Um mês após o massacre de Suzano, eis que surge uma série sobre assassinato em  uma escola. A produção é sueca, o que me deixou com mais vontade de assistir, já que esse é um país que sabe produzir bons dramas (acrescente aí a palavra "pesados"). Quem já viu "Os homens que não amavam as mulheres" (versão sueca, óbvio) sabe bem do que falo. 

A série, que é baseada em um livro, não fez muito alarde ao chegar no catálogo da Netflix, mas conseguiu me despertar curiosidade, e eis que fui assistir. Com apenas seis episódios e um ritmo que mescla a rapidez dos disparos de bala com a lentidão de lágrimas ao cair, "Areia movediça" é feliz ao tratar de assuntos sérios sem romantizá-los
Netflix
A trama, que começa com tiros vindos de uma sala de aula já anuncia que não será das mais coloridas. E não é. Com assassinato, estupro, um namoro conturbado, consumo de drogas, tentativa de suicídio, e uma relação paterna nada saudável, é preciso dizer: "Areia movediça" é uma série sobre abusos. Estes, permeiam a narrativa no que parece ser a dose exata - não há uma encenação de casos explícitos pelo simples desejo de chocar. Tudo é ensaiado cronologicamente para o ato final - decidir se há ou não um culpado para o crime que dá play na série. 

A essa altura, somos abraçados pela angústia que cerca tanto a personagem principal, acusada de homicídio, quanto a nós mesmos. Em meio a um julgamento, memórias confusas são expostas e relatos potentes são ditos. É inevitável não nos sentirmos parte do júri. Questionamos se a personagem Maja (leia-se Maia) deve ou não ser presa, o que em certa medida parece injusto já que nem mesmo a própria Maja lembra exatamente tudo o que aconteceu na hora do crime. Somos inseridos gradativamente no roteiro, e assim vamos ganhando novos detalhes sobre o fatídico dia que move a série. 
"Areia movediça": uma série sobre abusos
Entretanto, é essencial dizer e enfatizar que "Areia movediça", apesar de ter um ponto a ser revelado, vai além do nó central, e é isso o que enriquece a história. O relacionamento abusivo entre Maja e Sebastian, muito bem atuados por Hanna Ardéhn e Felix Sandman, me fez querer intervir na trama como quem diz: "vocês não podem ficar juntos!". Era óbvio o quanto aquela relação era autodestrutiva, sobretudo para Maja, que foi se perdendo de si mesma. Mas Sebastian, o garoto rebelde e inconsequente, consegue despertar certa empatia, afinal, ele tinha uma relação completamente conturbada com o seu pai, que ou negligenciava seu filho ou fazia questão de mostrar o quanto o detestava. 

Sem querer humanizar um ou outro personagem, porém é fundamental termos em mente que qualquer semelhança entre esta série e a realidade não é mera coincidência. Crimes cometidos por jovens e relações disfuncionais ocorrem no mundo inteiro. No Brasil, ocorre em Realengo ou em Suzano. Cabe a nós refletirmos se é mesmo um bom caminho continuarmos apontando "monstros" sem entendermos os fatos


Gostou do post? Viu a série ou ficou com uma pontinha de curiosidade? Me contaaa!

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