Depressão, autoestima, redes sociais e a "Desconstrução" de Tiago Iorc - Do papel para o mundo

13 de maio de 2019

Depressão, autoestima, redes sociais e a "Desconstrução" de Tiago Iorc

Tiago Iorc
Olá, tudo bem? No início deste mês o Tiago Iorc lançou seu mais novo álbum, intitulado "Reconstrução". O cantor estava ausente há mais de um ano da mídia e das redes sociais, e surpreendeu muita gente com o novo trabalho, que traz 13 músicas, todas com clipe. A primeira faixa é "Desconstrução", e fala sobre depressão, autoestima e redes sociais. Os primeiros versos dizem: "Quando se viu pela primeira vez/ Na tela escura de seu celular/ Saiu de cena pra poder entrar/ E aliviar a sua timidez/ Vestiu um ego que não satisfez/ Dramatizou o vil da rotina/ Como fosse dádiva divina/ Queria só um pouco de atenção/ Mas encontrou a própria solidão/ Ela era só uma menina".


Contracenado pela modelo Michele Alves, o clipe traz uma jovem se olhando no espelho, atentamente, como se fizesse isso pela primeira vez. Ao longo do vídeo a atriz começa a admirar o seu corpo, vai se desnudando e dança consigo mesma, mas logo cobre a sua pele. A sensação que temos ao ver o clipe e ouvir a música, que juntos se mesclam em perfeita sintonia, é que a jovem queria se mostrar em troca de curtidas. Ao perceber isso, então, se sente mal, triste. 

A faixa que abre o álbum nos convida assim a pensar sobre como lidamos com as pressões advindas do mundo virtual. E elas não são poucas, sabemos. Cada vez mais é como se a gente fosse convidada a performar algo, sobretudo no Instagram. Nele passamos os nossos dias rolando o feed da vida alheia, curtindo e comentando as caras e bocas postadas por outras pessoas. Seguimos modelos, youtubers, atrizes globais e mais quem for de nosso interesse. Vemos viagens, restaurantes, paletas de maquiagens de grife e aquela nova sandália que tanto queremos. Um universo de possibilidades que nem sempre nos parece possível. Resultado disso? Nossa sanidade mental comprometida
Começamos a questionar por que não temos tanto sucesso quanto quem seguimos. Procuramos erros e defeitos em nós mesmas, de fora pra dentro, na pele e nas nossas ações. Por vezes caímos em um discurso de meritocracia, como se cada realização da nossa vida dependesse exclusivamente de nós, sem haver fatores externos, como a nossa própria realidade social. Ficamos então angustiadas, e muitas vezes com a autoestima lá no chão. Nos olhamos no espelho como a atriz do clipe e nos sentimos sem graça, não tão bonita. Isso quando não nos sentimos de fato feias. Um trecho da música diz: "Abrir os olhos não lhe satisfez/ Entrou no escuro de seu celular/ Correu pro espelho pra se maquiar/ Pintou de dor a sua palidez". Difícil é não se identificar com a cena.

Um caso emblemático ocorrido em nossa sociedade, que deturpa a forma com que nos enxergamos através da mídia foi o da menina de 11 anos que se suicidou por achar que não tinha o corpo perfeito. Esse caso é capaz de nos mostrar o quanto é cruel ser mulher (ou mesmo uma menina) em um mundo moldado por padrões, ora esqueléticos, ora fitness. Mas nunca o nosso próprio corpo.
Em "Desconstrução" vemos alguém que nos parece distante de si mesma enquanto busca se encontrar, como lhe parece melhor. Nos compadecemos e ao mesmo tempo nos visualizamos ali, nos olhos verdes da moça tatuada que sente a necessidade de ser reconhecida nas redes. A música se encerra com os seguintes versos: "Entrou no escuro de sua palidez/ Estilhaçou seu corpo celular/ Vestiu o drama uma última vez/ Saiu de cena pra se aliviar/ Se liquidou em sua liquidez/ Ninguém notou a sua depressão/ Viralizou no cio da ruína/ Ela era só uma menina/ Seguiu o bando a deslizar a mão/ Para assegurar uma curtida". Potente, concorda?

A comparação é mesmo inevitável, mas cabe a nós também um trabalho de formiguinha: de nos sentar em frente ao mesmo espelho que nos distorce e buscar um detalhe que seja de belo em nosso rosto ou corpo. Cabe a nós tirar uma folga da rotina estressante e sentir as nossas inseguranças e abraçar a nossa coragem. Vai por mim, ela existe. Pode levar tempo esse processo de autoafirmação de que somos lindas e fortes, mas quando esse dia chegar, aí sim, será uma revolução.
Pode ficar à vontade pra desabafar aqui o que houver em seu peito. Vou adorar te ler! <3

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