Amor à correnteza - Do papel para o mundo

29 de maio de 2019

Amor à correnteza


Poesia
Você me ama e eu acredito
Aceito quando me agride e quando não se importa
Quando só se conhece o medo
é mais fácil naturalizar a opressão

Então vem, me rasga
Cospe em mim
Morde a pele que há segundos atrás você beijava
Não é assim que você se declara?

Aproveita que a minha epiderme frágil
está sempre ao alcance do seu tato
Apresenta seus dentes
Representa a sua, a nossa dor

Quem sabe eu não fico mais um pouco
E me afogo um pouco mais
Tem gente que tem medo da correnteza
Eu escolhi amá-la

Bárbara Amorim

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