Os muitos eus que me habitam - Do papel para o mundo

31 de maio de 2019

Os muitos eus que me habitam

Os muitos eus que me habitam
Hoje contente olho pra trás e me lembro triste. Me lembro pesada, cansada, apagada. Com os olhos murchos eu era um ser quase em decomposição. Vivia de conflitos internos que teimavam em me ruir. Quando sabia o que era certo, logo desviava de direção. Ia pro caminho errado, mas ele me levava pra casa, e lá eu tinha meu pacote de erros mais completo. Não era preciso muito pra me perder de mim mesma.

Porém, hoje, posso dizer que me achei. Não carrego a paz em sua totalidade, mas tenho a junção do gosto amargo de um café feito às pressas com a ternura de um chocolate quente. Sou eu mesma em minha distração, com meus passos acelerados e a ânsia por poesia. Ora um mar em tempestade, ora o arco-íris de fim de tarde. Às vezes menina, às vezes mulher. Sou tudo o que me move e o que me derruba. Ponto final e reticências eu ponho na mesma frase.

Sou constante na minha inconstância e não aceito metades. Se quer me ver na guerra, duelando com monstros pavorosos, então lute direito. Aprendi com os meus inimigos internos a ir à luta com ou sem medo. Sou pequena, serelepe, amante do outono. Me agarro às pequenas maravilhas deste mundo torto e colorido porque pra viver não basta existir. 

Louca eu sou, obrigada. A normalidade me assusta e me faz querer virar pó. Prefiro o conflito de palavras do que a garganta seca pela perfeição. Não nasci sorrindo, por que irei me fantasiar de quem não sou? Viver é uma peça de um ato só. Não há tempo para prisões não prescritas. Só há tempo para aquilo que enche o peito - de amor ou de saudade. 

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