“Presos que menstruam” – a vida real de mulheres nas prisões brasileiras - Do papel para o mundo

6 de maio de 2019

“Presos que menstruam” – a vida real de mulheres nas prisões brasileiras

Presos que menstruam
Olá, tudo bem? Hoje eu vim te contar sobre a minha leitura de abril, que desde já, me perdoe pelo trocadilho, mas me abriu um mundo. Falo de "Presos que menstruam", da jornalista e escritora Nana Queiroz, sobre a vida real de mulheres nas prisões brasileiras. Eu indico muito pra você que quer sair do senso comum, pois é uma obra reflexiva, que vai te fazer pensar, assim como me fez. Perguntas como "será que tem absorvente suficiente nas cadeias?" ou "como é ser uma mãe presa?" são apenas algumas das questões que permeiam o livro.

Para quem não sabe, Nana é a criadora da revista "Azmina", de conteúdo feminista. Sua preocupação com estudos de gênero vem desde a faculdade, e para a escrita da sua publicação ela ficou seis meses em contato com presidiárias. O resultado foi um livro potente, angustiante e revoltante. Afinal, ler as histórias das mulheres nas prisões e imaginar a vida de cada uma é entrar em um mundo de dor, medo, solidão e insalubridade. Mas não somente, as páginas também nos mostram muita resistência

O que a autora trouxe para nós, leitores, é uma história que precisava ser contada e entendida de forma humana, diferente das que costumamos ouvir nos grandes veículos midiáticos. Há relatos de precarização na higiene das celas, violência por parte dos policiais e péssimas condições de alimentação. O peso e muitas vezes a culpa de se estar à margem da sociedade são contados por Nana, mas a falta de afeto não é omitida. As presas sentem, e sentem muito. Não deixam de serem humanas quando passam pelas grades, mas quantas vezes ouvimos na TV ou mesmo nos meios alternativos notícias sobre presos do sexo feminino? Garanto, poucas vezes. Mas essas mulheres existem, mesmo que os homens ocupem a maior parte da população carcerária do país.

Dados sobre presos no Brasil

"Presos que menstruam" nos aproxima tanto das personagens, que em certos momentos me senti também nos presídios, ouvindo e enxergando cada mulher. Para quem ainda não se deixou levar pelo discurso amplamente disseminado na mídia de que bandido bom é bandido morto não tem como não finalizar o livro sem ter um mínimo de empatia pelas presidiárias que, antes de presas são mulheres, são mães, e como já disse, humanas. 

Tem uma frase da Malala Yousafzai que diz que "não podemos todos ser bem-sucedidos quando metade de nós está restringida", e acho que é exatamente isso. Não, não estou  aqui defendendo atos ilegais ou o que quer que seja, mas precisamos fazer uma reflexão mais profunda: de onde vem esses 5% de mulheres encarceradas? Um número substancialmente menor do que a quantidade de presos homens, entretanto elevado comparado à realidade de outros países. Isso não quer dizer nada?
Presos que menstruam

 "Se o Estado não reconhece que acontece, ele não tem que se responsabilizar pela prevenção." -Presos que menstruam

Pois bem, trago um dado (mais um): de acordo com o Infopen Mulheres 2018, das presas mulheres 50% possuem faixa etária entre 18 e 29 anos, isto é, são jovens. 62% são negras, com baixa escolaridade, e 74% são mães. Podemos ver assim que faltam políticas públicas de acolhimento e acesso à educação para essas que são as Gardênias, Júlias e Marias de Nazaré, como apresentadas no livro. Essas que menstruam ou atingiram a menopausa. Todas mulheres, além do sexo, da fragilidade e da força, representadas em um livro que precisa ser lido por todos e todas

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