O que é ser bonita o suficiente em tempos de repressão estética? - Do papel para o mundo

17 de junho de 2019

O que é ser bonita o suficiente em tempos de repressão estética?

Repressão estética
Este é o relato de uma jovem que tem feito mal para si mesma. Ultimamente a intensidade do coração adquiriu proporções maiores. Parece que a vida não está fazendo sentido, mas eu sei que quem está fora do eixo sou eu. A pressa de caminhar, as manias, a roda de amigos e a rotina acadêmica têm sido um rolo compressor que aos poucos me aniquila. O cansaço tomou conta de mim de uma forma que as indicadas oito horas de sono não são capazes de agir com efeito calmante às olheiras. Não encontro ponto final para as minhas reticências.

Mas sabe o que tenho encontrado com tamanha facilidade? Erros em mim mesma, dos internos aos externos. Você também pode chamar de autossabotagem, ou um desejo insano em se provar a pior pessoa do universo. Eu poderia enumerar as vezes em que disse a mim mesma que sou um lixo humano ou que não sou capaz. Eu poderia listar as vezes em que o espelho mentiu pra mim, me fazendo acreditar que não sou bonita. Não o suficiente. E aí eu espero que você se pergunte: suficiente pra quem? Pra quem temos que mostrar o nosso quadril com medidas proporcionais ao restante do nosso corpo ou a sedosidade capilar sem um milímetro de frizz? 
O que ganhamos com toda essa repressão estética além de ansiedade e comparação a todo instante? Quem nos premia enquanto tiramos o excesso de maquiagem ao fim do dia? Curtidas no instagram? É esse o troféu que queremos por perder o nosso sono pensando na última novidade do mercado estético? É isso o que merecemos por acreditarmos que não somos boas o suficiente e que por isso precisamos ser retocadas a todo instante?

Definitivamente nós somos muito mais do que essas regras que nos impuseram, e que nos impõem a cada dia. E é um desafio lutar contra esse sistema que nos oprime pela autoimagem. Eu sei, pois a inspiração pra escrever esse texto foi o tanto de palavras negativas que direcionei a mim mesma na noite anterior e o quanto eu me senti pesada com cada uma delas. Ontem doeu, hoje eu refleti, e amanhã eu quero me amar, sem corretivo pra tapar as marcas que me disseram ser imperfeitas. 

Vem comigo nessa revolução?

Nenhum comentário:

Postar um comentário