La Casa de Papel e a insistência masculina pelas nossas vaginas - Do papel para o mundo

29 de julho de 2019

La Casa de Papel e a insistência masculina pelas nossas vaginas

La casa de papel
Olá! Tudo bem? Por aqui tudo sim, obrigada. Terminei a terceira temporada de "La Casa de Papel" e vim correndo fazer post pra vocês! Escolhi um recorte que acredito ser essencial de se debater: a insistência masculina pelas nossas vaginas. Se você viu a série direitinho deve ter notado as inúmeras menções feitas pelos personagens masculinos aos órgãos genitais de Nairóbi e companhia. Foi a forma, nada gentil, que eles arrumaram para xingá-las e humilhá-las. Nada novo, nós sabemos. Nossa cultura adora nos inferiorizar por apelos sexuais, como se fôssemos reduzidas ao que portamos entre as pernas

Além disso, o que vemos na série e nos mais diversos contextos de nossa sociedade é uma imposição de padrões sobre os nossos corpos, neste caso, sobre a nossa vulva. Sim, o sistema patriarcal impõe até como deve ser o que há debaixo das nossas vestimentas. É ditado que não podemos ter pelo, de preferência devemos ter uma "buceta rosa", "apertada", sem odor (haha), e de preferência que "cheire a cookie de baunilha". Não, essa última descrição criativa não veio da minha mente, mas do site "El Hombre". Pois é, pois é. 
Nairóbi
Entretanto, quando nos propomos a pensar em xingamentos direcionados aos homens percebemos o evidente: seus pênis não entram na conversa. Isto é, não são utilizados como algo contra eles. Ao menos não de modo geral, né? É claro que cada caso é um caso. Porém, pense no que eles usam para nos deixar mal e você verá adjetivos como "vagabunda", "piranha" e "puta" sem nem gastar muito os seus neurônios. Agora inverta a situação e você verá, por exemplo, que o adjetivo "vagabunda", no masculino, se refere ao homem em ócio, que não trabalha, já para as mulheres significa todos os outros adjetivos anteriores, ou seja, ligados a uma manifestação sexual
La casa de papel
Em "La Casa de Papel", não há uma mulher que não tenha sofrido algum grau que seja pelo simples fato de ser mulher. Tóquio, Nairóbi, inspetora Raquel, Mónica... ah, se tratando de dominação sexual, como essa sofreu, mas claro, sem spoilers porque tem gente que não viu sequer a primeira temporada. O que aqui nos interessa é refletir como a objetificação sexual nos afeta. Nessa terceira temporada, Palerma, pode ser considerado o personagem capaz de causar maior incômodo em suas falas exacerbadamente misóginas, como bem lembrou Nairóbi em um dos episódios. O interessante é que ele é apresentado como um personagem homossexual, e não recebeu o estereótipo afeminado ou afetado por sua orientação, mostrando que gays também podem, infelizmente, serem machistas. O que nós temos é que lutar diariamente para que nenhuma de nós seja julgada ou definida por existir

Agora me conta: o que você achou do texto? E da terceira temporada? Já viu? 

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