Dona morte - Do papel para o mundo

25 de setembro de 2019

Dona morte

Poesia sobre a morte
Tenho pensado muito sobre a morte
Não porque a vida tem sido triste
e a escala de cinzas se ampliou
Mas porque ela me esbarra dia após outro
Sucinta, como um sussurro

Se aproxima devagar e me pergunta
o que quero para o amanhã
Conversa comigo de forma sincera
Quase me olha nos olhos se eu pudesse a ver
Eu não sei, mas é possível que me veja

Do que falaremos amanhã, dona morte?
Eu pergunto
Mas você não me diz enquanto
o hoje não se finda
Afinal, tenta sempre me mostrar que
cada passo deve ser dado no seu tempo
Eu que sou teimosa e não te escuto

Tapo os ouvidos feito menina birrenta
Que não quer ouvir da morte conselhos sobre a vida
Isso lá faz sentido?
Faz. Faz. E faz.
Você ensina aproveitar os instantes
Ensina a amar com profundidade
e se agarrar aos nossos sonhos
Mas a gente erra e não te ouve

Bárbara Amorim

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