Coringa - uma crítica ao sistema social - Do papel para o mundo

7 de outubro de 2019

Coringa - uma crítica ao sistema social

Coringa - uma crítica ao sistema social
Na última quinta-feira (3) estreou nos cinemas o tão aguardado "Coringa", filme que traz Joaquin Phoenix brilhantemente na pele de Arthur, com uma atuação digna de Oscar! Na pele de um homem com problemas mentais, a história traz muitas camadas que merecem ser complexificadas, afinal, essa não é apenas uma trama de alguém que vai salvar ou acabar com o mundo, mas de alguém que precisa, antes, salvar a si mesmo. 
O personagem principal trabalha com palhaçaria, uma profissão, que em tese, deveria render diversos olhares, já que lida com o riso e com o público. Porém, o que acontece com Arthur foge totalmente dessa realidade. Solitário e desempregado, após ser despedido de vários empregos, ele insiste no ofício do stand-up comedy, mesmo com muitas pessoas, incluindo a sua mãe, deixando claro a ele que pra ser comediante tem que ser engraçado, e que talvez ele não seja. 

O que o filme faz é uma crítica ao sistema social, por conta de uma estrutura que beneficia uns e invisibiliza outros. O cotidiano pode nos tornar insensíveis, sem um olhar empático para enxergar o outro, mas agora, imagine você ser o outro, uma pessoa com poucos recursos financeiros, sem amigos e com problemas mentais. A vida parece fácil? Somos todos iguais? E quando o sistema não pode mais nem te amparar com remédios e psicólogos? Com quem conversar? E em alguns casos, mais graves, como existir? 
Coringa - uma crítica ao sistema social
Nesse processo de busca pelo que se quer, mais precisamente na cidade de Gotham dos anos 70/80, num período de crise econômica, Coringa vira o símbolo de uma anarquia, gerada por uma população insatisfeita com as desigualdades sociais. Seria extremamente superficial a gente falar que ele se tornou um vilão aleatoriamente ou que a obra do cinema aqui em questão incita a violência sem considerarmos todo o seu conjunto, que inclui toda a violência simbólica (mas não apenas) sofrida pelo personagem. Por mais que sim, ele acabe sendo propagador da barbárie, isso não faz com que ele deixe de ser também uma vítima de todo esse cenário. 
Coringa
Precisamos parar de alocar as pessoas em caixas de "bons" e "maus", como se só existissem dois tipos de personalidades. Na vida real as pessoas podem agir por inúmeros sentimentos num mesmo dia. O que a gente precisa é observar com olhos de águia a raiz dos problemas e entender por que eles existem. Acredite, "Coringa" é muito mais profundo do que alguns querem fazer parecer. 

Se você já assistiu ou gostou desse post, me conta que eu vou adorar ler sua opinião! 

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