Entre a morte e a escrita - Do papel para o mundo

2 de outubro de 2019

Entre a morte e a escrita

Poema sobre morte e escrita
Suavemente rasguei a minha pele
E contornei meus ferimentos com o salgado das minhas lágrimas
Observei a dor escrever rasuras na epiderme
E lentamente eu entendi que me faltava viço, me faltava vida

Não fiz nada além de me aconchegar na solidão
Nem gritei o excesso de palavras que havia em mim
Cada letra triturada engasgada na garganta
Apenas fechei meus olhos

E como a morte não me viria naquele instante, peguei um papel
Se a vida em mim já não mais cabia
Faria da escrita meu refúgio
Seria a minha passagem

Então mesmo que despedaçada
Haveria cor e poesia em parte de mim
Até o dia em que minhas pupilas sangrarem 
E nem a escrita puder me salvar

Bárbara Amorim

Nenhum comentário:

Postar um comentário