O mundo para e a alma dança - Do papel para o mundo

8 de junho de 2020

O mundo para e a alma dança


O mundo para e a alma dança
Às vezes é extremamente confuso estar no meio de uma pandemia, porque enquanto uns podem ficar em casa, outros saem às 5 h da manhã para o trabalho. Enquanto uns não aguentam mais, outros se descobrem. Enquanto uns surtam em meio a crises existenciais, outros veem suas almas dançarem. E que beleza e que loucura é isso. O mundo para e a alma dança, como em fotografias antigas da guerra onde os casais se beijavam, ignorando qualquer cena de repressão. 

Dentro de casa, o coração bate em câmera lenta, o filme romântico é feito à moda antiga, com calma, sem amassos corporais, sem encostar nos lábios. Parte da espera é angústia e imprevisibilidade, parte é esperança e um desejo insano de se entregar àquela pessoa que colore a paisagem pacata. Você até imagina a dança de sentimentos. O gosto do beijo, o abraço, a música de fundo. Será da playlist compartilhada ou o som do metrô chegando? 

Você não sabe de nada e isso é tudo o que você sabe, cada dia um pouco mais. Na falta de um cenário completo com direito a paredes estruturadas, surgem memórias inventadas. Você se pergunta sobre possíveis manias e atrasos. Será que ele vai entender sua pontualidade extrema? Será que vai se atrasar no primeiro encontro? E no segundo? E no terceiro? Você se apressa diante do teto incerto. Sua intensidade não permite férias, nem tem auxílio-doença.

O mundo para, mas o sentir, jamais. Ele faz coreografia debaixo de sol e chuva. Aos apaixonados, escrevo uma carta - iremos virar essa página. Iremos profundamente sentir cada letra da página quando estivermos prontos, livres de vírus. Iremos criar playlists infinitas e dançar sem a promessa de fim de mundo. A nossa alma será a nossa única condutora. 

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