Palavras angustiadas na falta - Do papel para o mundo

6 de julho de 2020

Palavras angustiadas na falta

Palavras angustiadas na falta
Sinto falta, tanta falta, de tanta coisa. Sinto falta de acreditar que vai ficar tudo bem, sinto falta de um abraço acolhedor, sinto falta de chorar em paz no ombro de alguém e depois rir até criar rugas precoces. Sinto falta de não me sentir sempre no escuro, de não acordar de madrugada com ansiedade, de ouvir Nina Fernandes e me identificar com as letras mais apaixonadas. Sinto falta de ser mais menina e menos adulta. 

Acho que a vida tem pesado mais do que o normal faz um tempo e, parece que o tempo não se trata mais de horas, mas de nós. Nós que nos enrolam até perdermos o ar. Me pergunto quando isso tudo vai acabar para que a paz volte a bater na porta, porém, sinceramente, já nem sei mais do que se trata isso tudo. Já chorei por tantos motivos e no fim me engasguei de modo tão único que me perdi na frieza do sofrer.

Queria ser possível gritar tão alto a ponto da liberdade me ouvir e me livrar das amarras em que me encontro. Queria sentir o quentinho de um chá na garganta acompanhado de um poema de Manoel de Barros sobre passarinhos. Queria não ter pressa para chegar sabe lá onde. Queria não olhar o calendário e me assustar com a velocidade feroz dos números. Queria gastar parágrafos com relatos de amor e não com as angústias do peito. Eu queria tanto que me dói imaginar.

Espero apenas, em alguma esquina, me deparar com um mundo mais possível, solidário. A fortaleza que desenho é uma armadura frágil, não sei até quando caberá em mim. Por enquanto morro no tropeço dessas palavras, mas nos segundos de vida entre as mesmas crio borboletas para colorir o andar em desespero. Por isso ainda vivo. 

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