Correndo atrás de nós mesmas - Do papel para o mundo

3 de agosto de 2020

Correndo atrás de nós mesmas

Correndo atrás de nós mesmas
Fugindo de tudo o que me rasga o peito, procurando em mim partes perdidas, tentando fazer da garganta algo diferente de um nó. Sei lá, tentando me enxergar através de uma ótica mais autoral e menos embaçada. Infelizmente não sou capaz de dar uma data de quando me perdi, mas sei que faz tempo desde que busco nos outros um pedaço de mim. Faz tempo em que tropeço em expectativas criadas pela minha querida mente imaginária. 

Parece loucura, mas sinto falta de mim. Sinto falta de uma peça de mim, como num quebra-cabeça, que se perdeu, talvez em alguém. Por sorte, ou excesso de cacos no coração, não romantizo mais minhas dores. Não acredito em felizes para sempre e nem que no fim tudo fica bem. Quem decide o que é o fim? Às vezes ele só é um meio interrompido que forçadamente teve cara de fim.

Ai, ai, intensa e pacata vida, alguém me diz que eu ganhei na loteria do amor! Pode ser o amor próprio mesmo, mas deposita à vista na minha conta. Sim, eu tenho tentado caminhar com os meus passos, olhado mais para dentro, mas sigo 100% humana, pecando nos erros mais antigos. Eu ainda me corto, sem tocar a epiderme. 

Existir é um ato contraditório, pois bem, é. Então só para não fugir à regra e fazer a diferentona, sigo me contradizendo. Também tenho tentado fazer isso com menos constância, entendi que não preciso praticar todo dia essa arte. Acho que o segredo para sofrer menos, se é que existe um segredo, é se liberar. Se permitir ser livre no mais autêntico sentido da palavra. 

Hoje é domingo e tudo bem chorar até tarde e ter que trabalhar amanhã cedo, amanhã é segunda e tudo bem se eu quiser meditar e me elevar espiritualmente, ignorando as mensagens no celular, terça-feira, tudo bem comer chocolate além da conta e me lembrar que esqueci de pagar o boleto do aluguel. A quarta-feira, assim como todos os outros dias que virão, existe para ser criada, com um pouco mais de responsabilidade, por favor, afinal, não dá pra ficar sem um teto, né? A questão é: precisamos saber nos refazer, nos permitir errar e evoluir. Com paciência e um pouquinho de afeto, a gente se encontra nessa corrida atrás de nós mesmas.

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