Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma - Do papel para o mundo

24 de agosto de 2020

Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma

Texto sobre amor próprio



Eu quero ser uma grande amiga de mim mesma. Quero que sejamos íntimas em todas as extensões dessa palavra. Descobri que não tem outro jeito, deve ser assim. Deve ser, pois, quando no fim da noite a ansiedade vem e sinto estar no início de uma manhã cinzenta, com a promessa de um longo dia, ninguém vem me abraçar. Ninguém surge do nada ao meu lado da cama pra dizer que tudo vai ficar bem. Ninguém enfrenta a tempestade comigo, é eu mesma sem guarda-chuva. 

Por isso, sim, eu preciso ser uma grande amiga de mim mesma. Preciso me namorar em frente ao espelho e, quebrá-lo, se der vontade. Não por raiva ou ódio à própria pele, somente por não precisar me avistar em reflexos. Não acho que seja tarefa fácil, como um dever de casa a ser entregue na próxima aula. Talvez eu entre de férias e a lição fique pendente, mas eu acredito com toda a potência que meu interior guarda, que um dia serei aprovada nessa grande aula de amor próprio.

Nos ensinam tanto sobre acolher a multidão, que às vezes esquecemos de nos acolher. Esquecemos que o nosso maior fruto é a nossa essência. Então quando tudo esfria, quando o grito parece ser a nossa única voz, nossa ação natural é procurar outras vozes. Vamos em busca de seres que, supostamente, irão abrigar as nossas trevas. Mas nem sempre isso ocorre, e no fim, o que sobra são nós. Os nossos nós. 

Quando eu choro sozinha a ponto de soluçar, eu ouço a mim mesma. É como se todas as profundezas do meu âmago se aflorassem em um furioso mar. Mais uma vez, compartilho comigo mesma a coragem de se perder em minha imensidão e, logo depois, viajar na tentativa de me encontrar. Ouço músicas, escrevo poemas, crio histórias e, depois me leio.

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