Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

6 de agosto de 2020

Metade verso, metade guerra

agosto 06, 2020 0
Metade verso, metade guerra
Poema de Bárbara Amorim



No porão das minhas inseguranças
arranjei um espaço para metades
Metade de mim, metade de você
Metade das nossas metades

Fiz um pacto com as minhas dores
pra ver se as suporto, de fato
Por isso resolvi me abrir um pouco mais
Deixei estranhos me adentrarem no meu
cômodo mais privado: meu coração

Meu coração que é vermelho, mas também azul
Meu coração que ama, mas também é chama
Meu coração que tudo sente além do inconsciente

Deixei a dor me desenhar como um retrato masoquista
Dilatei os poros da solidão
Me bebi em veneno após me servir em mel

No fim, restaram palavras nos alicerces da sobriedade
Restaram nós dos nós que fomos
Restou o pó debaixo do tapete
Metade verso, metade guerra

Bárbara Amorim

3 de agosto de 2020

Correndo atrás de nós mesmas

agosto 03, 2020 0
Correndo atrás de nós mesmas
Correndo atrás de nós mesmas
Fugindo de tudo o que me rasga o peito, procurando em mim partes perdidas, tentando fazer da garganta algo diferente de um nó. Sei lá, tentando me enxergar através de uma ótica mais autoral e menos embaçada. Infelizmente não sou capaz de dar uma data de quando me perdi, mas sei que faz tempo desde que busco nos outros um pedaço de mim. Faz tempo em que tropeço em expectativas criadas pela minha querida mente imaginária. 

Parece loucura, mas sinto falta de mim. Sinto falta de uma peça de mim, como num quebra-cabeça, que se perdeu, talvez em alguém. Por sorte, ou excesso de cacos no coração, não romantizo mais minhas dores. Não acredito em felizes para sempre e nem que no fim tudo fica bem. Quem decide o que é o fim? Às vezes ele só é um meio interrompido que forçadamente teve cara de fim.

Ai, ai, intensa e pacata vida, alguém me diz que eu ganhei na loteria do amor! Pode ser o amor próprio mesmo, mas deposita à vista na minha conta. Sim, eu tenho tentado caminhar com os meus passos, olhado mais para dentro, mas sigo 100% humana, pecando nos erros mais antigos. Eu ainda me corto, sem tocar a epiderme. 

Existir é um ato contraditório, pois bem, é. Então só para não fugir à regra e fazer a diferentona, sigo me contradizendo. Também tenho tentado fazer isso com menos constância, entendi que não preciso praticar todo dia essa arte. Acho que o segredo para sofrer menos, se é que existe um segredo, é se liberar. Se permitir ser livre no mais autêntico sentido da palavra. 

Hoje é domingo e tudo bem chorar até tarde e ter que trabalhar amanhã cedo, amanhã é segunda e tudo bem se eu quiser meditar e me elevar espiritualmente, ignorando as mensagens no celular, terça-feira, tudo bem comer chocolate além da conta e me lembrar que esqueci de pagar o boleto do aluguel. A quarta-feira, assim como todos os outros dias que virão, existe para ser criada, com um pouco mais de responsabilidade, por favor, afinal, não dá pra ficar sem um teto, né? A questão é: precisamos saber nos refazer, nos permitir errar e evoluir. Com paciência e um pouquinho de afeto, a gente se encontra nessa corrida atrás de nós mesmas.

30 de julho de 2020

Quem paga a conta?

julho 30, 2020 0
Quem paga a conta?
Poema Quem paga a conta?
O fim da nossa existência jamais existente
me arrasta pela casa
Quando sinto um toque firme na cintura
não sei se sorrio ou me parto

Nem sei se devia te descrever em meus poemas
Se te prender assim em palavras me liberta
Só sei o que sinto, depois versifico

Nas paredes da memória nos colori além da intensidade
Nos cravei em figuras rascunhadas
Restou sombra e eco

O que fazemos de nós em tempo presente é escolha
Mas e o que fazemos de nós em tempo idealizado?
Alguém apaga a luz da saudade?
E quem paga a conta?

Bárbara Amorim

27 de julho de 2020

Insensatez na era das "fadas sensatas"

julho 27, 2020 0
Insensatez na era das "fadas sensatas"
Insensatez na era das "fadas sensatas"
Na era das "fadas sensatas", a insensatez me agonia. Hoje enquanto tomava café me atentei à TV. Passava aquele programa que você gosta, sobre a natureza e, me dei conta de que ainda não te esqueci. Tudo bem que eu já sabia disso, mas estava em processo de ocultar isso de mim. Bem, talvez ocultar um cadáver seja mais simples.

Me sinto em luta comigo mesma, tentando deixar pra trás algo que nunca ultrapassou a linha de frente. Maldita festa em que nos conhecemos e que até hoje me guarda traumas. E se nunca tivéssemos nos beijado? Não, eu não quero pensar nisso porque resisto à ideia de que você seja um trauma. Queria tanto acreditar que em algum cantinho do universo há um "nós" nos esperando. 

Okay, preciso parar de idealizar o mundo ao meu redor e querer as pessoas que não me querem. Preciso porque enquanto gasto o meu tempo pensando e escrevendo sobre você, aposto que você assiste ao seu programa televisivo enquanto bebe café. E enquanto te encaixo em verso e prosa, ainda ouso me questionar: que tanto de coisas você faz em suas 24 horas que não tem um minuto pra me mandar uma mensagem de bom dia? E o poema que te pedi e você nunca me enviou? Nem era autoral, mas pelo visto eu não mereço o seu tempo de busca na internet. 

Acho que está mais do que na hora de eu merecer a mim mesma, pois dói demais esse tanto de cortes que eu e mais ninguém tenho que cuidar. Amor platônico tem limite. Paciência tem limite. Necessito entender os meus limites e saber me parar, afinal, nem tenho estoque de sangue para tantos ferimentos. A verdade é que o nosso café que nunca foi ao fogo esfriou e, eu vou ter que aceitar.

23 de julho de 2020

Sentido

julho 23, 2020 0
Sentido
Sentido poema
Essa palavra virou quase um conceito para mim
Tenho sentido tudo e buscado sentido para tudo
Porque a verdade é que há muito tempo tenho vagado
por ideias, momentos, dores antigas e constantemente atuais

Erramos tanto nessa vida
Mas talvez um dos nossos maiores erros 
seja escolher continuar errando
E quantas vezes não já acordamos abraçadas ao erro?
Quantas vezes não acreditamos que errar é uma forma de amar?

Com a chuva que em mim cai, aprendi que não
Amar é tanto sobre a liberdade de ser
Errar é se prender
E amor não é sobre prisão

Sentidos palpitam em mim e eu quero a graça do leve
A simples beleza de ser sem amarras me colore
Alguns pesos sempre serão dolorosos
Mas entre olhar para o passado e sangrar
Ou simplesmente viver sangrando, num gerúndio inesgotável,
eu escolho me presentear com o presente

Bárbara Amorim

20 de julho de 2020

Se desapegue de suas dores

julho 20, 2020 0
Se desapegue de suas dores
Como parar de sofrer
Oie! Tudo bem? Caso sim, que ótimo! Caso não, vem comigo para algumas reflexões! Você já parou pra pensar em quais são as suas maiores angústias? E se reparou, encontrou algo de comum entre elas? Pergunto porque às vezes a gente tem essa mania de colecionar dores como quem não desapega há séculos daquela roupa que não tem mais nada a ver com você, mas vai que um dia você tem vontade de usar, né? Porém, nunca usa! Não é fácil, mas você precisa se desapegar de suas dores!

Outro dia fiz essa reflexão em alguns stories lá no Insta, aliás você já me segue por lá? É @barbaradopapel, hein! A reflexão foi mais precisamente sobre se permitir sangrar e, como às vezes isso é necessário! Sim, pois não dá pra ficar arrastando os móveis pela casa eternamente quando você nem tem espaço suficiente pra tanta criatividade, sabe? Okay, eu gosto um tanto quanto muito de metáforas, mas é pra você sair deste post com alguma lição (e ação!) sobre algo que você precisa deixar pra trás! 
Às vezes, é necessário sangrar

Sabe aquele livro que você ganhou de presente, mas empacou no primeiro capítulo porque não é o tipo de leitura que te agrada? Trago notícias! Você não é obrigada a terminar! E sabe aquele relacionamento que há anos você cultiva, mas que há anos te destrói? Trago notícias! Você não precisa continuar. Vira a página desse livro também antes que tenha vontade de rasgar o livro todo! Claro, caso ainda não tenha chegado nesse nível. 

Saber pontuar frases é fundamental quando determinadas palavras já não mais te representam. Então hoje quero te aconselhar a sangrar. Se permita falar o que te incomoda, deixar de seguir perfis que te agridem, de algum modo, virar a esquina e nunca mais voltar, pelo simples motivo de que aquela rua já não é mais o seu caminho. Provavelmente será um processo difícil, a depender do que você está deixando pra trás, mas saiba que amanhã ou depois, terá sido a melhor escolha. Entenda: você pode escolher não sofrer. Topa fazer isso?

16 de julho de 2020

Lamentos sangrentos

julho 16, 2020 0
Lamentos sangrentos
Lamentos sangrentos, poema de Bárbara Amorim



Eu sei que é loucura te querer assim
Que eu não deveria sentir tanto
Mas desculpa, eu sou esse rio de emoções
Às vezes, nem eu caibo em mim

Tem sido difícil conjugar a palavra saudade
Porque ela aparece em todos os tempos presentes, 
como quando você saiu pela porta da última vez
E eu me senti especialmente sozinha, sem você

Doeu, não vou mentir
Doeu porque eu queria mais de você
Queria poder adentrar no seu mundo
enlaçando as mãos, as pernas, e o que tivesse mais pra enlaçar

Queria descobrir a sua altura, que nem mesmo você sabe
E me colocar na sua vida, não em uma mala prestes a partir
Nosso tempo foi limitado como uma bomba configurada à explosão
Agora sinto falta do café que nunca tomaremos
Entre lamentos sangrentos, me pergunto: por quê?

Bárbara Amorim