Do papel para o mundo-Um blog de lifestyle com resenhas de séries, filmes, livros, moda, beleza, comportamento e muito mais

26 de junho de 2019

Poluição

junho 26, 2019 0
Poluição
Poesia "Poluição"
O ar que respiro é impuro
Impuro como petróleo no oceano
Impuro porque não tem você
E por isso a poluição desenfreada

Os dias passam e os efeitos se provam nocivos
Aos poucos nem tenho mais o ar
Que antes me entalava e me aproximava da morte
A cada vento um pouco mais

À minha volta tudo é seco
Tudo é galho e também espinho
Não há flores pelos cantos
Não há nada além da ausência
Da sua ausência

Respiro então entre uma esperança e outra
Entre um verso e outro
Que se aproxima do teu sotaque
Assim não morro
Mas deixo de existir gradativamente

Bárbara Amorim

24 de junho de 2019

"Democracia em vertigem" e as costuras da nossa história política

junho 24, 2019 0
"Democracia em vertigem" e as costuras da nossa história política
No último dia 19 estrou na Netflix o tão aguardado documentário "Democracia em vertigem", da cineasta mineira Petra Costa. Ela, que hoje tem 35 anos narra a história em primeira pessoa e se coloca como personagem central para pensar um Brasil turbulento, frágil e polarizado. Um Brasil, sobretudo, atravessado pela história, que em sua narrativa começa antes mesmo da ascensão dos ex-líderes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff

Com pouco mais de duas horas de duração somos conduzidos por uma trama repleta de entrevistas, imagens do país em seu período ditatorial, em seu período democrático e o que restou dele. O texto é literário e bastante imagético. Em determinado momento me senti novamente em Brasília, mais precisamente em novembro de 2016 na manifestação contra a PEC do Teto de Gastos, aquela que congela os gastos com saúde e educação por vinte anos. De certa forma, me senti vulnerável.


No documentário, Petra nos lembra partes esquecidas da nossa história, hoje remontadas e facilmente compartilhadas pelo Whatsapp. Mostra que a luta pelos direitos dos trabalhadores começa com a greve dos operários, em 1979, liderada por Lula aos 33 anos. Ele surge então como uma forte liderança e após tentativas falhas de se tornar presidente do Brasil, alcança em 2002 o poder. Tudo é contado cronologicamente, mas a vertigem existente no nome do filme vai surgindo aos poucos conforme nossas memórias nos permitem. "Hoje, enquanto sinto o chão se abrir embaixo dos meus pés temo que a nossa democracia tenha sido apenas um sonho efêmero”, diz a diretora, que nos faz refletir sobre os caminhos trilhados por um povo capaz de vangloriar a morte de seus antepassados, como a exemplo dos que apoiam a volta da ditadura. 

É como se estivéssemos assistindo um resumo bem costurado de décadas de nossa política, os altos e baixos presentes em toda nação. A união do PT com o PMDB, recordado como o partido mais poderoso da oligarquia brasileira teria sido a primeira demonstração de uma futura crise de identidade do partido de Lula? Talvez sim, ao passo de que 20 milhões de pessoas se desvencilhavam da linha da pobreza e o número de negros nas universidades triplicava. Contrastes que contribuem para a nossa vertigem
Democracia em vertigem
Cartaz de divulgação do documentário "Democracia em vertigem"
Obviamente, a história de Dilma, ex-guerrilheira torturada na ditadura militar, também seria contada, desde a sua posse como primeira mulher presidente do Brasil ao auge da então polarização de ideias em junho de 2013. Dois anos e alguns meses depois um golpe forjado de impeachment travaria mais questões em nossa sociedade, e com isso a extrema direita ganhava cada vez mais destaque. Quem não lembra da "#TchauQuerida"? Uma emblemática face da misoginia exposta em nosso corpo social. E quando achávamos ter atingido o ápice de tantos embaraços, eis que Lula vira alvo da Operação Lava Jato por Sergio Moro, memorado na produção da Netflix como investigador e juiz do caso. Ambos.

O desfecho disso tudo nós já sabemos. Lula preso e Bolsonaro eleito presidente do país. Seus eleitores comemorando a vitória fazendo símbolos de armas, isso quando não portando armas, de fato. Estranho seria se a angústia não tivesse surgido em mim ao assistir o documentário, e ela surgiu, várias vezes, mas sobretudo no final. Deixo então a frase da cineasta de "Democracia em vertigem" para uma coletiva reflexão: “De onde tirar forças pra caminhar entre as ruínas e começar de novo?".

21 de junho de 2019

Para ficar de olho: conheça a cantora filipina Reneé Dominique

junho 21, 2019 0
Para ficar de olho: conheça a cantora filipina Reneé Dominique
Cantora filipina Reneé Dominique
Oie, tudo bem? Hoje eu vim trazer uma bela contribuição à sua playlist! Pois é, me perdoe a falta de humildade, mas é que eu estou apaixonada pela voz dessa moça de apenas 20 anos chamada Reneé Dominique. Já ouviu falar? Não? Então você está no lugar certo! A cantora nasceu nas Filipinas e criou seu canal no Youtube em 2012, onde posta músicas autorais, mas sobretudo covers de outros artistas, como The Carpenters e Keane.
Na companhia de um ukulele, instrumento musical parecido com um violão é como ela grava boa parte dos seus vídeos. Eu já tenho até minhas versões favoritas de covers, e aposto que se você der uma olhada no material sonoro dela também terá as suas! E para os amantes de acústicos como eu, sério, corre já pra ouvir Reneé e depois a gente conversa! Aproveita que ela gravou com o Jason Mraz uma canção super amorzinho e tem até clipe! 
Espero que a gente ainda ouça falar muito nessa cantora, que ao meu ver traz uma paz linda de se ouvir em cada verso. E ah, se você quiser pode seguir ela no Facebook ou Instagram pra acompanhar mais! Agora me conta o que você achou da dica musical de hoje. Gostou?

19 de junho de 2019

Ai de nós

junho 19, 2019 0
Ai de nós
Bárbara Amorim
Teu corpo se foi
Teu toque ficou
Leve e marcante em meu corpo
Ficou como rastro em mim

Você achou que podia partir
Mas não depois daquela manhã
Não depois de todos os beijos e metáforas
Não depois do abraço, do amasso

Ai de mim e ai de ti se não fôssemos nós
Se não fôssemos mais que detalhes emaranhados no lençol
Ai também da poesia
Que deveria ser reescrita

Como ousa?
Como ousa dizer que não me importo com o que me importo todos os dias?
Esquecimento? Atrevimento?
Não sei que palavra usar
Não sei se todas me arranham a garganta

Bárbara Amorim

17 de junho de 2019

O que é ser bonita o suficiente em tempos de repressão estética?

junho 17, 2019 0
O que é ser bonita o suficiente em tempos de repressão estética?
Repressão estética
Este é o relato de uma jovem que tem feito mal para si mesma. Ultimamente a intensidade do coração adquiriu proporções maiores. Parece que a vida não está fazendo sentido, mas eu sei que quem está fora do eixo sou eu. A pressa de caminhar, as manias, a roda de amigos e a rotina acadêmica têm sido um rolo compressor que aos poucos me aniquila. O cansaço tomou conta de mim de uma forma que as indicadas oito horas de sono não são capazes de agir com efeito calmante às olheiras. Não encontro ponto final para as minhas reticências.

Mas sabe o que tenho encontrado com tamanha facilidade? Erros em mim mesma, dos internos aos externos. Você também pode chamar de autossabotagem, ou um desejo insano em se provar a pior pessoa do universo. Eu poderia enumerar as vezes em que disse a mim mesma que sou um lixo humano ou que não sou capaz. Eu poderia listar as vezes em que o espelho mentiu pra mim, me fazendo acreditar que não sou bonita. Não o suficiente. E aí eu espero que você se pergunte: suficiente pra quem? Pra quem temos que mostrar o nosso quadril com medidas proporcionais ao restante do nosso corpo ou a sedosidade capilar sem um milímetro de frizz? 
O que ganhamos com toda essa repressão estética além de ansiedade e comparação a todo instante? Quem nos premia enquanto tiramos o excesso de maquiagem ao fim do dia? Curtidas no instagram? É esse o troféu que queremos por perder o nosso sono pensando na última novidade do mercado estético? É isso o que merecemos por acreditarmos que não somos boas o suficiente e que por isso precisamos ser retocadas a todo instante?

Definitivamente nós somos muito mais do que essas regras que nos impuseram, e que nos impõem a cada dia. E é um desafio lutar contra esse sistema que nos oprime pela autoimagem. Eu sei, pois a inspiração pra escrever esse texto foi o tanto de palavras negativas que direcionei a mim mesma na noite anterior e o quanto eu me senti pesada com cada uma delas. Ontem doeu, hoje eu refleti, e amanhã eu quero me amar, sem corretivo pra tapar as marcas que me disseram ser imperfeitas. 

Vem comigo nessa revolução?

14 de junho de 2019

Ecos

junho 14, 2019 0
Ecos
Assombrada no meu quarto
Ouço ecos de mim mesma
Vejo gritos se estraçalharem dentro de mim
E num vazio poético eles até dançam 

Pausa para respirar entre um infarto e outro
Sinto a dor despontar em meu peito
Sinto a chuva virar o desenho mais perfeito
O sofrer é escultural

Me permito então ser um pouco de tudo
Deixo as lágrimas salgarem meu corpo
Me encontro perdida no mar que desbravo
E quando uma grande onda vem eu me entrego

O excesso de vazio cansa e se finca em partes ocultas
Não enxergo as feridas tatuadas na epiderme
Mas sei que elas existem
Sei que elas resistem

Bárbara Amorim

12 de junho de 2019

Uma lista de gestos para demonstrar afeto no dia dos namorados

junho 12, 2019 0
Uma lista de gestos para demonstrar afeto no dia dos namorados
Dia dos namorados
Oie, tudo bem? Hoje, 12 de junho é o dia dos namorados, (e namoradas também, você entendeu, né?) e por isso, este será um post de muito amor! Quero te inspirar a demonstrar afeto nesse dia, mas sobretudo, quero te dizer que carinho não é pra ser exclusividade de uma data, okay? Hoje a gente dá aquela elaborada, óbvio, mas o amor deve estar presente em todos os dias (ou quase, vai!). Então chega de falar e vem comigo nessa lista! 

Vale fazer playlist para ouvir juntos ou enviar de surpresa pela internet!
Quem nunca mandou indiretas por meio de músicas que atire a primeira pedra! Não, não atire pedras, faça uma playlist! Assim você impressiona o seu amor de forma poética e ainda podem passar um tempo agradável juntos. Caso você prefira enviar pela internet ou não possa mesmo ver a pessoa que você ama neste dia, escreve um recadinho fofo no corpo do texto para enviar junto com as músicas que o olhar apaixonado é certo!

Vale assistir um filme juntos em casa ou no cinema
Não importa se em casa ou no cinema, assistir um filme ao lado de quem você ama é uma das coisas mais incríveis de uma relação. Minha dica é escolher algo juntos que simbolizem de alguma forma a relação de vocês ou algo que vocês estejam com vontade de ver mesmo, mas que seja leve.

Vale revisitar o lugar onde vocês se conheceram
Já que o dia pede uma dose maior de amor, que tal revisitar o lugar onde vocês se conheceram? Ou o lugar onde vocês deram o primeiro beijo. Enfim, relembrar o cantinho onde a história de vocês começou. Isso pode suscitar boas lembranças e sensações.

Vale cozinhar juntos, preparar uma surpresa ou sair para comer
Nada como um bom bate-papo comendo, não é mesmo? Seja em casa ou em qualquer outro lugar, comer juntos proporciona um ambiente de descontração, então vale preparar uma refeição juntos ou fazer uma surpresa caprichada daquela receita que o seu amor tanto gosta. Uma outra opção super válida também é sair para comer juntos, o que é tão divertido quanto fazer algo em casa. 

Vale ser brega de todas as formas
Talvez este seja o item mais importante na lista de afetos. Ser brega inclui dizer o quão importante é aquela pessoa na sua vida, inclui fazer dancinhas estranhas, escrever textão se declarando ou um bilhete fofo e ainda fazer planos para o futuro. Ou seja, ser brega é demonstrar amor sem medo de parecer ridículo.

Um feliz dia do amor pra você!